Página do Facebook contesta liderança de Carlos Pereira no Marítimo

Petit Marítimo
A escolha de Petit para orientar o Marítimo, substituindo Claúdio Braga, não foi pacífica no seio dos adeptos verde-rubros.

A situação do Marítimo na I Liga de futebol não é famosa. Os resultados têm revelado uma fragilidade do plantel e mesmo com a mudança de treinador, que noutras circunstâncias resulta em melhoria, de produtividade e de resultados, não tem revelado os objetivos propostos, sendo que Petit só conseguiu vencer no último jogo, no Estádio do Marítimo, contra o Portimonense, com três pontos que permitiram, para já, fugir à posição de descida.

Ontem, tanto a SAD como o clube, assumiram publicamente uma “posição de força” face ao descontentamento que começou a desenhar-se através de associados, com o médico Eugénio Mendonça, verde-rubro de longa data, a ser a voz dessa manifestação crítica, apontando a necessidade de uma auditoria gestão do presidente Carlos Pereira. A nota emitida pelas duas instituições mostra-se contra essas insinuações e desafia sócios e acionistas a estarem presentes nas assembleias gerais, no sentido de demonstrarem, nos lugares próprios, as suas reais intenções.

A verdade é que estes episódios que visam a gestão de Carlos Pereira, a quem praticamente todos reconhecem mérito pelo percurso que o Marítimo teve ao longo dos seus mandatos, não só em património mas na trajetória desportiva, começam a tomar algumas proporções que, no mínimo, devem merecer alguma atenção dos orgãos administrativos, mesmo tendo em conta a conjuntura de comportamento menos positivo da equipa de futebol, o que potencia, sempre, uma maior reação por parte dos adeptos.

Uma página na rede social Facebook, intitulada “Carlos Pereira Rua, o Marítimo Continua”, vem trazer a público uma posição de contestação à liderança do atual presidente. “São 21 anos de Carlos Pereira como presidente do Marítimo…já chega”, escrevem os promotores desta página. Com uma preocupação evidente: “Vemos o clube a ser ultrapassado por clubes com menos adeptos e história de época para época. Vemos uma direcção que se distancia daquilo que é o clube, os seus adeptos, a sua gente. Já chega de termos um presidente que se galvaniza pelas suas capacidades empresariais e descura a parte desportiva e mais importante, a humana deste clube. Já chega de ver um Marítimo que não consegue ser competitivo duas épocas seguidas. Vemos uma Marítimo que não consegue dar o passo que precisa para lutar sempre por um lugar europeu e por uma taça porque está obsoleto. Tem uma estrutura assente em apenas um homem. Já chega!”

A determinado momento, os responsáveis pela página da rede social abordam a questão dos treinadores, que este ano já são dois, Claúdio Braga e Petit, dizendo que “já chega de deixar dar oportunidades a treinadores para treinar o Grande Marítimo. Merecemos ter grandes treinadores a treinar o Grande Marítimo. Já chega de despedir/deixar sair treinadores que apenas discordam da opinião do presidente quando querem fazer o seu trabalho. Já chega de todos os anos perdermos jogadores importantes a custo zero para rivais. Já chega de transferências nada transparentes e de “contentores” a alugar quartos nos seus apartamentos. Merecemos uma aposta forte nas condições das camadas jovens para que os nossos melhores jovens não tenham de ir para o continente para serem melhores”.

Por entre as críticas, há no entanto um reconhecimento: “Damos mérito ao que foi bem feito mas mesmo esses feitos vêm sempre com uma grande contradição. Temos um belo estádio mas desde 2009 que continua inacabado. Foram seis anos a jogar num estádio que envergonhava o adepto. Somos o clube que melhor representa a região nas mais variadas modalidades amadoras mas afastamos constantemente pessoas e treinadores afectos ao clube, mais uma vez sem justificação aos sócios. Já chega de amadorismos”.

Recorde-se que ontem, como o FN deu conta numa outra peça, a administração da SAD e a direção do clube trouxeram a público uma posição sobre esta onda de descontentamento, formulando um convite a acionistas e sócios para comparecerem nas assembleias gerais que brevemente serão convocadas, nos termos legais e estatutários, “e nelas participarem activamente na procura de esclarecimentos a todas as questões que entendam pertinentes, da mesma forma que sempre o puderam fazer no passado e continuarão a poder fazer no futuro, às quais os orgãos sociais terão todo o gosto em responder”.

Neste momento, o Marítimo ocupa o 15º lugar da I Liga com 14 pontos, a dois pontos dos lugares de descida. Tem 4 vitórias, 2 empates e 10 derrotas, com 10 golos marcados e 21 sofridos.