Situação da Venezuela foi debatida na ALRAM; partidos reconhecem calamidade e exortam a boa recepção a quem regressa

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A situação dos emigrantes madeirenses e dos lusodescendentes na Venezuela esteve hoje em foco na Assembleia Legislativa da Madeira, num debate requerido pelos centristas, e no qual marcaram presença dois secretários regionais: Jorge Carvalho, da Educação, e Rita Andrade, da Inclusão e Assuntos Sociais.

O primeiro a intervir foi Rui Barreto, líder da bancada parlamentar do CDS, para deplorar todos os problemas que se deparam aos emigrantes que residem ainda naquele país da América Latina, onde os bens essenciais são difíceis de obter, o custo de vida e a inflação imensos e as necessidades básicas custam actualmente muito a ser asseguradas. Cerca de dez mil pessoas já regressaram, a maioria das quais para a RAM, citou, dando conta do empenhamento do seu partido em ajudar a resolver os problemas que estes retornados enfrentam.

O secretário regional Jorge Carvalho deu, por seu turno, conta da viagem que recentemente efectuou à Venezuela, acompanhando responsáveis nacionais. Segundo referiu, naquele país as dificuldades são muitas e cifram-se já em mais de 150 mil as pessoas inscritas nos consulados portugueses. Também veio à baila, via deputado independente Gil Canha, a questão dos emigrantes lesados pelo Banif, cuja insatisfação ainda continua a exigir solução. Já Rita Andrade admitiu dificuldades para alojar, na RAM, famílias regressadas da Venezuela. Há quase três centenas e meia de pedidos de habitação social, mas o Governo Regional admite ser impotente para resolver todos, sem a ajuda do Governo central.

O deputado bloquista Roberto Almada alertou para ainda outros potenciais problemas, decorrentes da saída do Reino Unido da União Europeia, e que podem fazer regressar a Portugal emigrantes naquele país, enquanto que no Brasil, com a ascensão potencial de um governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro, também é de prever emigração para Portugal ou possíveis retornos de portugueses emigrados naquele país, o que viria complicar ainda mais a situação com que Portugal (e a Região) se deparam.

Por seu lado, o secretário-geral do PSD-M e deputado por aquele partido, Rui Abreu, elogiou numa intervenção o modo como os emigrantes madeirenses sempre mantiveram no coração o seu rincão natal e exortou a que, pelo muito que os emigrantes madeirenses ajudaram a economia da sua terra natal, a recepção aos mesmos em tempos de dificuldade seja boa e afável.

Entre várias críticas ao modo como o regime político na Venezuela chegou a esta situação, destacou-se a de Sérgio Marques, que acusou particularmente a doutrina socialista de ser culpada deste descalabro. O PCP, de seguida, admitiria uma situação de catástrofe em terras venezuelanas, e Victor Freitas, líder da bancada socialista no parlamento regional, denunciou o extremismo existente naquele país.