Crónica de viagem: O prazer sempre inesperado da descoberta

Os taxis no Benim são um espanto. Sem capacetes e com a bagagem a tiracolo num táxi-mota…

E eis-me regressado do Benim, onde ainda subsistem marcas da presença portuguesa. Considero-me um cidadão do Mundo, e abençoado por Deus para conhecer as suas maravilhas. Já vivi oitenta por cento da minha vida, e preciso saber que, por muito realizado que esteja, ainda não perdi a vivacidade em mim. Vou continuar a sonhar e a viajar, mesmo que isso me empobreça os bolsos. É que vale mesmo a pena, e inclusive em cada cantinho deste mundo, não só nos locais mais turísticos.

A bordo do avião da Turkish Airlines, de regresso à ilha, com a missão superada, tenho nas mãos a revista de bordo e o mapa mundo com as rotas desta grande companhia aérea. Não munido  de compasso ou de transferidor, mas tão somente de uma esferográfica descrevo uma linha desde o Benim, passando por Istambul e finalmente Lisboa. Fico por alguns minutos contemplando essa linha de rota que é um verdadeiro SETE perfeito. Não me passou pela cabeça que viesse a obter essa imagem. É curioso, na numerologia, principalmente religiosa, tem um significado especial, de promessa. É considerado um número “perfeito” e presente em tudo. Basta recordar que Deus “criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, fazendo dele ,um dia santo”. Ora, o SETE representa aquilo que está completo, a plenitude, o que  é perfeito, a que nada se pode acrescentar.

Medito um instante nisto e, de novo com o mapa na mão, idealizo já a próxima aventura. Está decidido: a Mongólia. Será mais uma odisseia para obter o visto, mas tudo se consegue. A minha vida tem-se pautado por cinco regras: querer, acreditar, trabalhar, vencer e nunca desistir. Chamam-me às vezes de louco por viajar para estranhos destinos, na minha idade. Mas que interessa? Os restantes vinte por cento da minha vida serão longos e acredito que a morte não é o fim. mas o princípio…

Post scriptum: Sou passageiro frequente da Turkish Airlines, membro da Star Alliance, como a TAP. Tem a maior frota de aviões da Europa e no Mundo. A Turquia está construir o maior aeroporto da Europa. Nos últimos dias vejo nos jornais uma panóplia de tarifas que a TAP oferece para outros destinos (saldos fim de estação) que causa escândalo, comparativamente aos que a companhia pratica para Região Autónoma da Madeira. Já aponto isto há dois anos nas minhas crónicas de viagem. E aproveito para dar a conhecer o trajeto da minha viagem, com o número de horas de voo, com partida de Lisboa.

Viajei na Turkish  para Istambul. Voo directo, duração 4h35. Foi servido almoço, com aperitivo, vinho francês e digestivo. Depois Istambul-Cotonou, no Benim, foram 6h05 de duração, com lanche e jantar. Regresso de Cotonou a Istambul com paragem técnica de 50m em Abidjan, na Costa do Marfim, um voo de cerca de nove horas, com jantar e pequeno almoço. Finalmente, Istambul -Lisboa directo, 4h35 com almoço. Total de horas de voo: cerca de 24. Preço: 569 euros. Pensei fazer o bilhete corrido para incluir o Funchal (não vá o vento tramar a minha saída) mas desisti logo. No computador, ao incluir a Madeira, o preço disparou para 1.200 euros.

Será que o sr. presidente  da TAP não tem conhecimento do êxito de uma companhia não comunitária que efectua diariamente voos para Istambul com uma ocupação de 90 por cento? Exclamou na Assembleia Regional  que a TAP era privada e não tinha obrigações. Engana-se. Era para ser assim, no governo Passos Coelho-Portas, mas abortou, e o que já estava no preto e no branco passou à primeira forma.

Entretanto, o primeiro-ministro António Costa mantém o estado como parceiro da TAP, com uma quota. Mas sacode a água do capote, ignorando e querendo impor uma canga aos madeirenses.

Se o sr. Antonoaldo Neves veio para arrumar a casa, e a TAP não é uma casa de caridade, cabe contudo ao governo central resolver esta questão o quanto antes. Uma sugestão : porque não se acaba com aquela merendinha de pobres esse serviço de catering ridículo durante os voos Lisboa-Funchal-Lisboa? Sempre poupavam alguns tostões.