BE diz que “se Antonoaldo ofendeu a nossa inteligência, o PSD-M ofende muito mais”

O Bloco de Esquerda veio hoje considerar que o presidente da TAP “é hoje o bode expiatório dos problemas da mobilidade aérea da Madeira, é o alvo de todas as críticas e frustrações pelos preços estratosféricos e demais problemas. Antonoaldo Neves pôs-se a jeito com afirmações que ofendem a nossa inteligência, como a dos preços serem módicos, merece toda as críticas com que tem sido brindado, mas ele cumpre o seu papel de gestor, defende os interesses de quem lhe paga, os accionistas, dentro do quadro legal criado pela liberalização”.

Num  comunicado enviado às redacções pelo coordenador do BE, Paulino Ascensão, considera-se que “apontar-lhe o dedo não vai fazer baixar os preços, insultá-lo não vai reduzir a incidência de cancelamentos, o problema não se chama Antonoaldo, chama-se liberalização. A TAP cumpre a lei do mercado e aqui é que reside o problema, o mercado não nos serve e dez anos bastam para concluir isso”.

O BE diz que a liberalização não trouxe a concorrência e os baixos preços como prometia, por causa das características próprias do aeroporto da Madeira, que o tornam pouco atractivo. A situação, refere o partido, é agravada pelo congestionamento do aeroporto de Lisboa e pelo subsídio de mobilidade em vigor, que anula a diferença de preços para o passageiro – anula a possibilidade de concorrência entre companhias.

“Mas quem decidiu a liberalização em 2008 – o Governo Regional do PSD, apoiado por PS e CDS e mais tarde JPP – não enxerga a realidade, não quer reconhecer o erro e tenta remediar em vez de resolver. A indignação e o rol de acusações contra a TAP e o seu presidente são de uma grande hipocrisia: O PSD vem agora exigir que a TAP cumpra obrigações de serviço público que não existem, quando foi o próprio PSD que desobrigou a companhia? Se Antonoaldo ofendeu a nossa inteligência, o PSD-Madeira ofende muito mais”, considera Paulino Ascensão.

“A ideia de negociar com uma terceira companhia, de lhe pagar ajudas para vir fazer concorrência é em si a negação da liberalização e o reconhecimento que o mercado não funciona: se o mercado é livre e funciona o Estado não tem de intervir; se o Estado tem de intervir, então que seja através da imposição de obrigações de serviço público, para bem dos passageiros e não para bem dos lucros dos donos das companhias. Concorrência com ajuda do Estado é uma fraude”, conclui.

O Bloco aponta outros aspectos críticos da linha Madeira – continente, nomeadamente a sazonalidade e a rigidez da procura: em certas alturas do ano há muita gente disposta a viajar quase a qualquer preço. As companhias de baixo custo – as que se pretende atrair para a Madeira – vão reagir a esse aumento da procura com subida dos preços, pois não têm na sua frota aviões disponíveis para aumentar o número de lugares. Essas companhias conseguem baixos custos porque fazerem uso intensivo dos seus recursos, mormente dos aviões.

Culpar Antonoaldo é como culpar a raposa por comer as galinhas, sem enxergar que a culpa foi de quem lhe abriu a porta do galinheiro. Insistir na liberalização é teimar em não fechar a porta, depois de todas as consequências.


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