Rui Barreto analisa sector turístico e pede actuação mais proactiva do Governo; diz por outro lado que “Cafôfo tem de deixar de atirar bolas ao poste”

O líder do CDS-PP Madeira, Rui Barreto, acusou hoje o Governo Regional de dar o turismo como “um dado adquirido”, actuando por isso nesta matéria de forma “reactiva e não proactiva”. Barreto dirigiu palavras de estímulo aos trabalhadores da hotelaria, aos empresários do sector, aos operadores e guias, mas também ao povo da Madeira “pela forma hospitaleira” como recebe os turistas, mas deixou algumas notas críticas.

O dirigente centrista faz notar que o sector tem batido recordes de entrada de turistas, no número de dormidas e subida do RevPAR (que mede o proveito obtido por quarto disponível), mas não se deixa impressionar pelos números. “Há sinais manifestamente preocupantes, que já existiam há um ano”, sublinha. “Na altura alertamos para o perigo de um abrandamento do fluxo de turistas para a Madeira, devido à recuperação de alguns mercados do Norte de África, mas também pela falência de três companhias aéreas, duas delas do mercado alemão e inglês, que são dos maiores para a Região. Foi por isso que o CDS pediu ao Governo um reforço das verbas para a promoção, para permitir desenhar planos de acção que ajudassem a minorar os impactos negativos”, salientou.

Porém, só agora o Governo Regional anunciou um reforço de 700 mil euros para a promoção do destino. “Não é possível que o Governo Regional não entenda que numa região em que 20% da riqueza advém do turismo, 25% da mão-de-obra tem ligação ao turismo e às actividades associadas, que arrecada cerca de 400 milhões de euros em proveitos, apenas tenha uma verba de 15 milhões de euros para a promoção”, critica o líder partidário.

Por outro lado, Rui Barreto lembra que no concorrencial sector do turismo os planos de acção são desenhados a uma distância de “um ano ou mais”, diz que os sinais de recuo na receita se devem ao facto de o Governo Regional ser “profundamente reactivo”, não ser “preventivo” e ter o sector do turismo como “um dado adquirido”.

O líder do CDS propõe trabalho governamental que responda a questões, como “quem nos quer, o que é que compra, o que é que precisa e o que é que valoriza”. Rui Barreto reconhece que a Associação de Promoção da Madeira “tem feito um bom trabalho”, mas pede que lhe sejam concedidos mais meios e verbas. “É preciso juntarmos todos à mesa”, sugere, acrescentando. “Os diagnósticos estão feitos, mas a estratégia não tem sido correcta. O Governo tem o Plano Estratégico 2017-2021 para o sector, mas nunca foi feita uma avaliação e por isso iremos chamar ao Parlamento a secretária do Turismo para fazermos uma monitorização do Plano.”

O líder do CDS Madeira tinha programado a conferência de imprensa de hoje para abordar questões relacionadas com a actividade turística regional, no Dia Mundial do Turismo, que se assinalou esta quinta-feira, mas não teve como evitar outros assuntos da actividade política que têm dominado a agenda mediática e política. É o caso das propostas do PS e do candidato à liderança do Governo Regional, Paulo Cafôfo, para a “mobilidade aérea”, “mobilidade marítima”, “juros da dívida”, “novo hospital” e “apoio aos regressados da Venezuela”.

“O candidato do PS às eleições regionais está agora muito preocupado com a mobilidade”, comentou Rui Barreto, para precisar. “Veio apresentar a proposta de uma terceira companhia aérea, ideia pela qual o CDS anda a bater-se há dois anos, e defendemos essa necessidade porque o mercado é de concorrência imperfeita.”

O dirigente político centrista recorreu à linguagem futebolística para caracterizar a forma de actuar de Paulo Cafôfo. “Tem de começar a marcar golos, não pode ser só bolas ao poste. Se tem ideias para a Madeira, se é do mesmo partido que governa o país, tem a belíssima oportunidade de pedir ao ministro das Finanças, que está a 15 dias de apresentar o Orçamento, para que concretize nessa proposta todas as medidas que anunciou. Não vale a pena tirar fotografias e encher páginas de jornais e depois isso não concretizar em coisa nenhuma. Se quer e deseja influenciar positivamente a Madeira e o seu povo, então seja eficaz e concretize estas medidas de fundo, tantas vezes defendidas pelo CDS e outros partidos, em nome da dignidade e direito dos madeirenses.”