Têm surgido na imprensa várias notícias acerca do desenvolvimento de carnes sintéticas, que, aparentemente, serão igualmente nutritivas e tanto ou mais saborosas…
Um artigo de 31 de agosto deste ano, no Público, falava de uma empresa “Just” que está a desenvolver carne de laboratório, clean meat, com vista primeiramente ao mercado dos chefes com estrelas Michelin e talvez em 2020 chegue às lojas, com a pretensão de ser uma alternativa à produção industrializada de carne.
Já anteriormente, em 2013, uma equipa de cientistas holandeses criou o primeiro hambúrguer proveta do mundo, com células estaminais de vaca: 140 gramas custavam cerca de 250 mil euros! Professor de fisiologia na Universidade de Maastricht, na Holanda, Mark Post levou cinco anos para criar o hambúrguer de laboratório, desenvolvido a partir de células estaminais retiradas da região do pescoço da vaca. A pesquisa contou com o apoio financeiro de Sergey Brin, o bilionário fundador do Google.
E porquê? Qual a necessidade de produzir este tipo de alimentos?
Seja por preocupações morais, com o sofrimento de animais ou ecológicas, por causa do impacto da produção de carne no meio ambiente, um inquérito do The Guardian em 2013 referiu que 69% dos leitores estariam disponíveis para provar carne criada em laboratório.
Para obtermos 1 kg de carne de vaca são consumidos entre 10 e 16 kg de cereais; para 1kg de carne de porco, 4 kg. Mas os gastos em cereais são apenas uma parte da pegada ecológica da indústria da carne: a água é outro dos fatores limitantes: enquanto para cultivar 1 kg de milho são necessários 1.500 litros, 1 kg de carne usa 15 mil litros de água.
De acordo com um relatório de 2013 da Food and Ariculture Organization das Nações Unidas, o consumo de carne deverá dobrar até 2050. A criação de animais para alimentação humana já é responsável pela emissão de 18% dos gases poluentes no mundo, consome 27% da água que usamos e ocupa 33% das terras aráveis do planeta. Um aumento nesses números poderá, portanto, ter consequências drásticas para o planeta.
Assim, do ponto de vista do ambiente, poderá ser uma boa opção.
É bom? E faz bem?
Os testes realizados apontam que é uma carne segura, sendo que até se poderia controlar a quantidade de gordura, o que seria uma vantagem para a saúde, mas tal como em qualquer inovação tecnológica os efeitos demoram algum tempo a surgir, só haverá certeza das consequências passadas algumas gerações.
Para terminar, o meu conselho é fazer uma alimentação sustentável.
O alimento sustentável deve ser produzido de maneira a proteger a diversidade de plantas e animais e evitar danificar os recursos naturais. Alimentos de boa qualidade, produtos seguros e saudáveis. A alimentação sustentável deve promover a saúde, a preocupação ambiental e social. Devem ser sempre preferidos os alimentos locais, e da época, bem como os produtos de origem animal tratados em condições dignas, ou em modo de produção biológico.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





