“Causa Ferry” espera competência do Governo Regional e distância dos interesses comerciais da operação

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Navio todo o ano, defende a “Causa Ferry”, que pede distanciamento do Governo realtivamente à componente comercial.

Foram como passageiros na última viagem desta operação do “ferry” Vulcan Tijarafe, que liga a Madeira ao Continente por via marítima. Uma operação pontual, para este período de verão, que não acontecerá o ano inteiro devido a questões que supostamente se prendem com a rentabilidade da operação. Esses passageiros representam a chamada “Causa Ferry Madeira-Continente” e emitiram hoje um comunicado, em plena navegação, onde colocam algumas questões em defesa do “ferry” todo o ano.

Em resultado da auscultação observada durante esta viagem até Portimão, constatam a expressão de um apoio à operação permanente e não pontual. Reforçam, por isso, aquilo que os move, a luta pela continuidade da ligação, considerando “injustificáveis todos e quaisquer entraves e justificações incoerentes sobre a viabilidade económica da operação Ferry. O nosso repúdio é total e somatório! A operação não pode ser considerada sem observar algumas das variáveis elementares de uma operação comercial”.

O grupo questiona sobre se a tutela, neste caso a vice presidência do Governo Regional, considerou um período de lançamento da operação, bem como a adaptação das empresas importadoras e exportadoras, que “não é imediata”, segundo referem os elementos da causa em nota enviada à comunicação social. E questionam: “Considerou o Governo Regional que promover uma operação Ferry e implementa-la de que a mesma não se viabiliza na primeira semana, no primeiro mês ou no primeiro ano? Considerou a Tutela que o fluxo de passageiros precisa de período de adaptação, planeamento e projeção no tempo?”.

A “Causa Ferry” diz esperar do Governo Regional “competência, independência e distância dos interesses comerciais do grupo económico dominante nos transportes marítimos da Madeira. Ao Governo Regional só admitimos a defesa inequívoca e transparente dos interesses dos seus cidadãos e do nosso Povo”.

Os defensores do “ferry” todo o ano perguntam, ainda, onde fundamenta então o Governo Regional, em exercício, este modelo de operação “tipo temporário”, envolvendo os custos e o subsídio atribuído”, solicitando que a entidade governamental torne público o cálculo e ponderação, sublinhando que “os resultados são esmagadoramente positivos e inegáveis. Seja a nível de passageiros seja ao nível de mercadorias e viaturas acompanhantes”.

A “Causa Ferry Madeira-Continente” continua “em viajem, neste momento em alto mar e a navegar regularmente e com segurança. Não nos extinguiremos nesta operação, contamos com apoio massivo de todos os nossos companheiros de viajem e de todos que estão em terra. Ao tecido empresarial importador e exportador defenderemos de “faca nos dentes” o transporte de mercadorias a preços, em volumes e características justas e aceitáveis”.

Entretanto, a tutela, através do vice presidente Pedro Calado, fez publicar  hoje, no JM, tal como vem sendo hábito na informação oficial aos madeirenses, em matéria de notícias sobre o” ferry” e sobre os voos para os estudantes e respetivos planos A e B, os números relacionados com a operação que agora termina e que o próprio vice presidente classificou de “teste”, tendo em vista a avaliação futura. Nessa notícia, Calado dá conta da intenção oficial do Governo Regional de exigir à República o “ferry” todo o ano, recorrendo aos números de ocupação, tanto de passageiros como de veículos, para justificar a permanência da operação.