Rio “baralha” PSD, põe-se ao lado do Bloco e defende taxação diferenciada das mais-valias sobre imóveis

Rui Rio Pontal
Rui Rio diz que a proposta do Bloco “não é assim tão disparatada” e propõe-se apresentar uma proposta social democrata no mesmo sentido.

O caso Robles, trouxe novas discussões à discussão política. O dirigente do Bloco de Esquerda colocou à venda por 5,7 milhões um prédio que comprou à Segurança Social por 347 mil euros. Uma mais-valia de milhões em quatro anos. O crítico da especulação foi acusado de especulação imobiliária. O BE ressentiu-se do “golpe”, mas logo apareceu a defender uma taxação para futuramente evitar estas situações. O CDS chama-lhe “taxa Robles”.

Mas o que ninguém estaria à espera era que o líder do PSD, Rui Rio, viesse colocar-se ao lado do Bloco na defesa dessa taxa. Não conhece a proposta em concreto, mas concorda com o princípio. E se as suas declarações de ontem surpreenderam alguns companheiros de partido, já de si dividido, o que disse hoje confirma a posição, acentua por isso a estranheza. Diz que o PSD vai apresentar, em sede de orçamento, uma proposta para taxar mais-valias, diferente da lei que já confere essa penalização. Mas agora agravando quem compra e vende um imóvel em pouco tempo, desagravando se ficar com o imóvel mais tempo e criando menor taxa para quem tem um imóvel há muitos anos. Uma taxa gradual para evitar especulação.

Sobre os críticos, dentro do próprio PSD, Rio reage dizendo que “as pessoas não estão habituadas a este tipo de posições. Defendem que reconhecer mérito de propostas do PCP e do Bloco, nunca. Não é assim que penso”.

Recorde-se que a liderança de Rui Rio, no PSD, que tem pouco tempo, tem sido marcada por algumas críticas internas e externas, sendo que a saída de Santana Lopes, para formar um novo partido, foi uma das notas mais relevantes do processo. Esta semana, Rio abordou a questão dos críticos. E foi claro: “Quem, estruturalmente, não concorda tem de ter uma atitude idêntica à que o Pedro Santana Lopes teve. O que já não é bonito é ficar e tentar destruir o partido”.

 


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