O Monte está no meio do “jogo do empurra” e não me lembro de ver tanto abandono, diz a líder de movimento de cidadãos

Teresa Luis Somos Monte
“Se há garantias de segurança, então porque é que não podemos usufruir plenamente da Festa do Monte?”, questiona Teresa Luís.

O movimento “Somos Todos Monte” nem quer pensar no eventual “fiasco” da Festa, num momento em que estamos a 24 horas da noite que sempre foi de multidão, mas que para este ano deixa muitas reticências relativamente ao que era o cartaz maior entre os arraiais madeirenses. Era dia e noite. Até ao fatídico 15 de agosto de 2017, onde a queda da árvore provocou mortos e feridos, transformou vidas e mudou a “face” dos festejos.
Teresa Luís, líder do movimento que protagonizou uma candidatura independente à Assembleia de Freguesia do Monte, diz que particularmente no Largo da Fonte, a afluência de pessoas tem sido fraca, tal como alguns comerciantes já tinham referido em reportagem anterior do FN. As novenas, que terminam hoje, antecedem a véspera, que era de música, foguetes e folia pela noite e madrugada, e o Dia do Monte, mais religioso mas não menos mobilizador. Mas essas novenas, que eram indicador do que aí vinha, já revelaram algum decréscimo no número de visitantes.
“A segurança continua a ser uma incógnita. Fizemos um abaixo assinado questionando sobre o assunto, mas aquilo que a Câmara diz é o que tem feito, o que tem dito na opinião pública. Não há uma garantia de podermos usufruir do espaço como sempre o fizemos. Não temos nada de concreto e isso naturalmente preocupa-nos e preocupa as pessoas, em geral”, revela Teresa Luís.
Diz que o problema “não é tanto pensar que vai acontecer o mesmo, não podemos estar a pensar que por ter ocorrido a tragédia de 2017, que as coisas vão voltar a acontecer. O problema é que, quer queiramos, quer não, há pessoas que têm receio e não vêm, da mesma forma que há pessoas que também não pensam vir ao Monte por homenagem às vítimas. A tal ponto de verificarmos que, apesar de haver algum movimento, no Largo da Fonte não é nada comparável a outros tempos. O que aconteceu tem naturalmente reflexos”.

Monte Igreja dentro
“As pessoas reclamam, deu para ver durante as novenas, vão à Igreja, estão pouco tempo e voltam para casa”.

Do ponto de vista político, Teresa Luís defende que a Autarquia deveria ter feito mais para dar garantias concretas. E aponta, por exemplo, a audição que hoje vai ocorrer na Assembleia Regional, do vereador João Pedro Vieira. “Isso já deveria ter acontecido há muito mais tempo, não era agora em cima do arraial. E além disso, o que é que temos além do que já estava um dia depois do acidente de 15 de agosto de 2017. Está igual, nem as limpezas estão feitas, os jardins estão na mesma. A Junta empurra para a Câmara e a Câmara empurra para o Governo. Ultimamente, o Monte está no meio do jogo do empurra e a população é que sai prejudicada”.
Teresa Luís lembra que a Festa do Monte “era o maior arraial da Madeira”, mas pelo que tem visto, “não é isso que vai acontecer”. E deixa uma questão: “Se há garantias de segurança, então porque é que não podemos usufruir plenamente da Festa do Monte? As pessoas reclamam, deu para ver durante as novenas, vão à Igreja, estão pouco tempo e voltam para casa. É isto que queremos para a Festa do Monte? Não estaremos a afastar pessoas da freguesia do Monte? Não me lembro de ver o Monte assim tanto ao abandono”.
A responsável pelo “Somos Todos Monte” considera que os habitantes da freguesia “sentem-se impotentes e sem resposta para as suas preocupações. E a prova dos nove é mesmo no dia 14 de agosto, aí é que vamos ver qual será a resposta das pessoas a um conjunto de situações que atingiram o Monte neste ano”.