Caminhada e Concerto Reais na Ribeira da Janela

Fotos Associação do Caminho Real da Madeira.

Foram cerca de 80 caminheiros que percorreram na manhã do passado sábado o Caminho Real 23 na freguesia da Ribeira da Janela, concelho do Porto Moniz.

Nos 4 km de percurso desde a foz da Ribeira da Janela até à Ribeira das Furnas houve a possibilidade de conhecer um pouco da história da freguesia, apreciar as estruturas lávicas que constituem um geossítio local, visitar a igreja da Nossa Senhora da Encarnação, deslumbrar-se com as vistas panorâmicas sobre a costa Norte e sentir no corpo as dificuldades no transporte de pessoas e bens a que estavam sujeitos os nossos antepassados.

No concerto previsto para a Ribeira das Furnas, que serve de partilha entre as freguesias da Ribeira da Janela e do Seixal, ultrapassava a centena de entusiastas do Caminho Real que deliciaram os sentidos com os sons da dupla de artistas Sarah Borges e Caio Oliveira os quais ofereçam, num palco de natureza, 45 minutos de musicalidade, em fusão perfeita com a exuberância vegetal da floresta Laurissilva.

Este foi o segundo de quatro concertos em colaboração com a Associação Retoiça previstos para o ano de 2018 com o objectivo de aliar a cultura à promoção dos Caminhos Reais da Madeira.

A Associação do Caminho Real da Madeira agradece ao Município do Porto Moniz e à Junta de Freguesia da Ribeira da Janela, cujos estimados contributos permitiram a realização de mais este evento.

Notas Contextuais

A Ribeira da Janela, antes “Janela da Clara”, recebe o nome do ilhéu empedernido em frente à foz do mais extenso e abundante curso de água da Madeira. É das freguesias menos populosas, contando apenas com 228 pessoas cuja alcunha colectiva os designa por “Rabichados”. Nas serras desta freguesia bate o vetusto coração da Laurissilva, o Fanal, famoso pela sua lagoa e pelos seculares tis, alguns dos quais necessitam de cerca de dez pessoas de mãos dadas para circunscrever o tronco.

A Ribeira da Janela teve uma primitiva ermida de invocação a Nossa Senhora da Encarnação, que já existia em 1558 e que, segundo a tradição, foi destruída por um aluvião. Nos finais do século XVII, mais precisamente em 1699, o povo ergueu uma capela que passou por uma completa transformação, mantendo-se o traço original, até aos dias de hoje.

Foi nesta freguesia que, em 1940, se instalou a primeira armação baleeira na Madeira com a construção de um “traiol” (estação rudimentar para a extração do óleo pelo meio de panelas de grande dimensão, assentes sobre fogo direto) localizado a Este da foz da ribeira com a colaboração de baleeiros açorianos.