BE reuniu com representantes de trabalhadores do handling no Aeroporto da Madeira

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O Bloco de Esquerda reuniu ontem com representantes dos trabalhadores do handling no aeroporto.

Segundo uma nota de imprensa, há duas empresas que prestam este tipo de serviços, são a Portway e a GroundForce, e a atividade destes trabalhadores é caracterizada tempo por base um pano fundo comum.

Segundo o BE há degradação das condições de trabalho e a redução das remunerações que decorre da privatização.

“Estas empresas estavam integradas na TAP e na ANA que foram recentemente privatizadas e a consequência como em todas as privatizações e concessões de serviço público é esmagar as remunerações e esmagar os direitos de quem trabalha. Aqui em concreto, a queixa principal tem a ver com a flexibilidade dos horários de trabalho, em que a empresa não respeita os termos do acordo que fez com os trabalhadores, os prazos mínimos de convocatória para essa flexibilidade laboral não são cumpridos e nos últimos anos, registaram os trabalhadores uma redução estimada em 10% (dez por cento) do salário real”, revela o BE.

Foi feito um acordo, que os trabalhadores aceitaram, que congelou a remuneração, atendendo ao cenário, que era estimado na altura que esse acordo foi feito, no entanto, ao contrário das previsões, a atividade da empresa cresceu, a cota de mercado da Portway subiu nestes últimos anos, mas, não se traduz no aumento do volume de negócios.

“Isto revela uma artimanha da administração, para não ter que pagar aumentos de salários aos trabalhadores, desvia a facturação desse crescimento da atividade para outras empresas do grupo e assim, formalmente, não cumpre os requisitos que estão acordados para pagar aumentos de salários. Há ainda uma série de queixas difusas, que em termos gerais podem se considerar de assédio, pressões diversas para desgastar e fazer sair os trabalhadores mais antigos que são aqueles que têm as remunerações mais elevadas”, prossegue.

Segundo o BE trata-se de um sector onde também a precariedade é imensa, a nível nacional. São cerca de 600 (seiscentos) trabalhadores que fazem 12 (doze) horas por semana, que se traduz numa remuneração de cerca de 300 (trezentos) euros.

“Isto mostra o grau de precariedade, um trabalho quase escravo e o que nós gostaríamos de sublinhar aqui é que esta onda de privatizações, e tenhamos atenção ás empresas públicas regionais que ainda não foram privatizadas, porque se isso acontecer o destino para os trabalhadores vai ser o mesmo, empobrecer salários e perder direitos, mas, a consequência da privatização que é transversal em toda a economia é esmagar rendimentos ao trabalho e transferir esses rendimentos para os patrões, sem benefícios para a população em geral, muito menos para o Estado”, remata.