Há que aplaudir, vivamente, o projeto “Capelas ao Luar”, que já vai na sua belíssima 3.ª edição, numa acertada iniciativa cultural, sob a responsabilidade da Direção Regional de Cultura, através da Direção de Serviços de Museus e Património Cultural.
Esta iniciativa criada no ano de 2016, tem vindo a oferecer, gratuitamente, ao público em geral, a oportunidade de ter um maior conhecimento e consciência de valorização do património cultural, ligado ao universo das capelas existentes na Madeira e no Porto Santo.
É de realçar que além de termos um contacto direto com o património cultural, usufruímos de uma visita guiada, que enquadra historicamente as capelas, mencionando diversos aspetos e curiosidades acerca dos monumentos, que aguçam e de que maneira a nossa cultura geral.
No último evento “Capelas ao Luar”, deste ano, que decorreu na capela de Nossa Senhora de Conceição, em São Roque, no Funchal, o Diretor Regional da Direção de Serviços de Museus e Património Cultural, Francisco António Clode de Sousa, deixou-nos uma boa notícia, ao anunciar que já no início de 2019, por altura da 4.ª edição, será lançado um livro/brochura, com uma resenha, do que foi até agora este projeto. Imagino que no seu conteúdo, incluir-se-á curiosidades, observações, testemunhos e novos contributos para aplicar-se em próximas edições. Pois, importa e de que maneira, fazer-se esta reflexão organizada sobre o evento, para memória futura e fornecer aos interessados uma leitura de fundo sobre o tema das capelas históricas na Madeira e Porto Santo.
É de referir que, normalmente, a atividade inicia com um peculiar momento musical, situado na época do monumento em foco, com o excelente acréscimo de ser executado ao vivo, com músicos de extrema qualidade.
Desde a primeira edição que o evento não se limita – e bem – às capelas situadas no Município do Funchal, pois tem percorrido outras capelas localizadas noutros concelhos, incluído o Porto Santo.
No entanto, gostaria de deixar algumas humildes sugestões à Direção Regional de Cultura, para estudar a viabilidade de ser projetado ”in loco”, para o exterior, – nos espaços que fosse possível – o que está a acontecer no interior das Capelas, durante as explicações, para que se possa usufruir no respetivo momento de todas as imagens mencionadas na apresentação. Embora no fim de cada evento, há sempre a oportunidade para os interessados poderem visitar o espaço e colocar questões aos respetivos oradores.
Julgo também que seria importante que a captação de imagens (fotográficas e videográficas), acontecessem de uma forma mais cuidada, evitando ao máximo movimentos, para não tirar a atenção no foco principal do evento. Já escrevi, em fevereiro de 2016, uma crónica, no Funchal Notícias, sobre este tema de captação de imagens, a torto e a direito, em alguns eventos. Cá fica o link, desse artigo de opinião, para os interessados: https://funchalnoticias.net/2016/02/01/captacao-de-imagens-a-torto-e-a-direito/.
Também, dentro das possibilidades financeiras, humanas e logísticas, seria interessantíssimo dar a conhecer, ao público em geral, outros monumentos do património cultural regional, no âmbito das comemorações dos 600 anos da descoberta da ilha da Madeira.
Assistir ao projeto “Capelas ao Luar” é conhecer melhor um tesouro cultural do nosso território Madeirense, as suas memórias e identidades. A verdade é que saímos dali satisfeitos, com um sorriso, reconfortados com os ganhos culturais que nos marcam, certamente, para a vida. Pois trata-se de uma viagem ímpar, repleta de liberdade pelo encontro com o património cultural, que nos faz sonhar e criar até novas ideias para outras andanças da vida.
Estes projetos culturais desempenham um papel de liderança na condução de mudanças positivas na sociedade, visto que sensibiliza os cidadãos para o conhecimento e salvaguarda do património que a todos diz respeito.
Sinto que este evento é também uma forma de valorizar o património cultural junto da comunidade. Por isso, é de uma grande importância fazermos uma reflexão constante sobre o património arquitetónico que herdámos, valorizando o passado e a memória coletiva das localidades.
As capelas carregam valores religiosos e profanos de uma sociedade. E por serem uma parte integrante na nossa história, têm um valor muito significante que não deve passar despercebido.
Pena é quando vemos o abandono ou mesmo a descaracterização de partes do património. Falando patrimonialmente, descaraterizar é destruir. Destruir os bens culturais é perder parte da memória coletiva da sociedade. Pois além das leis que protegem o património cultural, é fulcral, acontecer iniciativas, como estas, das “Capelas ao Luar”, por parte do poder local, para a uma maior sensibilização e educação patrimonial dos cidadãos.
O património histórico, que é um conjunto de bens e valores que representam a nossa região, deve ser entendido como a herança de um povo, a valorização do passado, como contributo para uma melhor compreensão do presente e preparação do futuro.
Há que conhecer e preservar o património regional, para nosso usufruto, para os nossos visitantes e para que as gerações futuras possam, também, sentir orgulho neste legado cultural que vamos cuidando com um grande sentido de pertença coletiva.
As capelas são ícones do passado, lugares das ilhas da Madeira e do Porto Santo que guardam narrativas de uma história que já conta com 600 anos.
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