Enfermeiros concentram-se este sábado na Madeira em “luta pelos direitos e cooperação para as soluções”

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Evaristo Faria é o representante, na Madeira, da nova estrutura sindical dos enfermeiros, o SINDEPOR.

Os enfermeiros mobilizam-se, este sábado, também na Região, para uma ação de luta que vem reforçando aquilo que tem sido uma caminhada reivindicativa da classe perante situações que, relativamente aos governos, têm registado alguns avanços e recuos, que criam inevitáveis tensões no exercício de uma profissão de comprovado desgaste e que, por via disso, tem implicações na prestação dos cuidados de saúde à população.
É por isso que as estruturas sindicais não têm poupado esforços tendentes a uma convergência de posições, que visem assegurar a garantia do que é reivindicado, em termos de carreira e de remuneração, sendo que este sábado, no caso da Região, a concentração está agendada para as 11 horas, no Hospital Dr. Nélio Mendonça.
Por entre os meios sindicais já com “carreira feita” nas lutas dos trabalhadores, o SINDEPOR – Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal – afeto à UGT e representando 1400 enfermeiros no País, surge como uma alternativa para a classe, tem cerca de seis meses, mas na Madeira já dispõe de uma representação, que prepara uma estrutura mais formal, através da eleições, já marcadas para setembro e que, inclusive, tem já nome proposto para a liderança, o Enfermeiro Laurindo Pestana, sendo que Carlos Ramalho lidera a direção nacional.
Para já, a “cara” do SINDEPOR, na Região, é dada pelo Enfermeiro Evaristo Faria, que fez parte da constituição do sindicato a nível nacional e que aponta para a importância de uma reivindicação global, de todos para todos, independentemente do número de sindicatos e de representações. O foco, por assim dizer, está nos direitos dos enfermeiros, a melhoria nas carreiras e nas condições de serviço, e foi isso que esteve na génese da formação deste Sindicato de âmbito nacional, mas que pretende ter, na Madeira, uma expressão muito própria.
Evaristo Faria lembra que “o processo que conduziu à concentração deste sábado, em todo o País, a que a Região se associa, teve início com o movimento nacional dos enfermeiros, que é uma estrutura não sindical, na qual nem a Madeira nem os Açores estavam incluídos. Foi o nosso sindicato, o Sindepor, tomou a iniciativa de dar continuidade a esse mesmo processo e para isso contactou a Ordem dos Enfermeiros e todas as estruturas sindicais, no sentido de se aliarem a esta manifestação”.
Para o dirigente daquele sindicato, a questão nuclear das reivindicações prende-se com a carreira, recordando que “a reunião de maio, no Ministério, revelou-se inconclusiva”. Fala na necessidade de apelo “à convergência sindical”, uma das “bandeiras” deste novo sindicato, no sentido de constituir uma fórmula de unidade que permita uma maior capacidade de intervenção em defesa dos trabalhadores.
A reforma antecipada é outro dos pontos a defender, no contexto das negociações. Evaristo Faria esclarece que, no fundo, “não se trata propriamente de reforma antecipada, mas corresponde, sim, à recuperação de direitos adquiridos, uma vez que temos uma carreira de desgaste”. As 35 horas, que constituem reivindicação nacional, já tiveram acolhimento por parte do Governo Regional, sendo que, neste universo, é uma das reivindicações primeiramente satisfeitas na Região, o mesmo acontecendo com “o pagamento, esperemos que com retroatividade, aos enfermeiros especialistas” .
O aumento do número de enfermeiros constitui, também, uma preocupação do SINDEPOR, a exemplo do que acontece relativamente à Ordem e a outras estruturas sindicais, que têm apontado esse objetivo como uma necessidade urgente na prestação dos serviços de saúde na Madeira.

Este responsável sindical faz referência ao assunto, confirma essa “urgência”, mas não tem números que permitam avaliar os recentes dados do SESARAM, que davam conta da existência, na Região, de um rácio de 8.4 por 1000 habitantes, número esse, dizia o Serviço de Saúde, que era mesmo superior à média nacional. Admite que o rácio possa ser esse, mas independentemente do número, esse rácio “continua a ser baixo no País e na Região”. O importante, diz, “é estarmos do lado da melhoria, tanto das infraestruturas, como das condições de trabalho”.

A luta e a cooperação fazem parte da estratégia. Andam sempre lado a lado, como faz questão de referir Evaristo Faria, quando o colocamos perante o relacionamento com o Governo Regional. Afirma, sem reservas, que tem sido de “cooperação”, deixando objetivamente a mensagem que o SINDEPOR “quer ser parte da solução e nunca parte do problema”