Enfermeiros cansados e serviços a descoberto na Madeira, Ordem tem reunião com Calado em maio

Elvio Jesus
Élvio Jesus pediu uma reunião ao vice presidente do Governo, que deverá ocorrer no início de maio, sugerindo a presença dos secretários regionais da Saúde e Inclusão e Assuntos Sociais.

“Os enfermeiros da Madeira estão cansados e os serviços, na sua maioria, estão a descoberto”. Esta revelação de Élvio Jesus, responsável pela secção regional da Ordem dos Enfermeiros, reforça posições já anteriormente manifestadas que iam no sentido da fragilização da classe através dos atrasos na contratação de mais profissionais e das exigências que se colocam aos que se encontram ao serviço, manifestamente poucos para a resposta que é necessária dar ao funcionamento do Serviço Regional de Saúde.

Élvio Jesus diz mesmo que há um concurso “mas daqui até que acabe, a situação degrada-se a cada dia”, referindo a existência de algumas admissões “para substituição”, “mas com uma carga burocrática que ninguém entende”. Admite alguma preocupação por parte do Governo, mas insuficiente para travar as lacunas e resolver efetivamente os problemas.

É por estas e por outras que o presidente da secção regional da Ordem já pediu uma audiência ao vice presidente do Governo Regional, Pedro Calado, que deverá ocorrer no início do próximo mês de maio, sugerindo que nesse encontro estivessem presentes os secretários regionais da Saúde e da Inclusão e Assuntos Sociais, tendo como objetivo a abordagem de questões “imediatas e estratégicas da Saúde”, que têm a ver com o presente e o futuro da classe. A Ordem quer avaliar, com o Governo, “uma  forma mais fácil e mais ágil de colmatar estas lcaunas, quer no imediato, quer no médio prazo”.

Este fim se semana, há o V Congresso da Ordem dos Enfermeiros, sob o lema “Cuidamos do Futuro”, a decorrer entre 27 e 29 de abril no Centro de Congressos de Lisboa. Com uma representação da Madeira, incluindo o responsável pela Ordem na Região, que é coautor de um dos quatro trabalhos a apresentar pelos enfermeiros madeirenses naquele encontro.

A bastonária Ana Rita Cavaco já veio a público, através de uma entrevista à Lusa, sublinhar a exaustão dos enfermeiros no âmbito nacional. Fala em números históricos do absentismo, na ordem dos 12%, diz que o rácio da OCDE, de 9,2 enfermeiros por mil habitantes, está muito acima daquilo que se verifica no País, que é de 6,2 enfermeiros por mil habitantes, bem como daquilo que se verifica no Serviço Nacional de Saúde, que é de 4, 2 por mil. E tem uma declaração surpreendente e nada animadora para os portugueses que utilizam os serviço de Saúde: “Tenho muito medo de chegar a velha e dependente nas atuais condições do Serviço Nacional de Saúde”.

Confrontado com estes números, Élvio Jesus considera que a situação da Madeira, em termos de absentismo, regista números “elevados”, embora não consiga contabilizar neste momento. Salvaguarda, no entanto, “algumas situações, que têm a ver com o facto dos enfermeiros não poderem, por assim dizer, “desenrascar”, ou seja, como contactam com doentes, estando eles próprios doentes, com gripe por exemplo, têm forçosamente que se ausentar do serviço por razões de segurança na saúde”. Além disso, a profissão de enfermeiro, com maior propensão para a exaustão emocional, “corresponde a um maior nível de absentismo”, sendo que ainda existe um outro fator, que se prende com o exercício da profissão por mulheres jovens e que, por vezes, têm que dar apoio aos filhos ou a doentes na própria família, dando azo, na globalidade, a valores que estão acima do absentismo verificado em qualquer outra profissão”.