Jardim insurge-se contra o direito (?) a ofender defendido por Ricardo Araújo Pereira

O ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim não gostou de ler as declarações do humorista Ricardo Araújo Pereira -que veio à Madeira para o Festival Literário- e hoje ‘postou’ o que pensa, sob o título “Palhaçadas deste regime político”. Um artigo que foi publicado no JM.

Eis o teor do escrito:

“Uns palhaços, convidados, vieram a público fazer a apologia do direito de ofender o Próximo.
Mais uma, nesta actual regressão à barbárie que, historicamente, sempre marcou o aproximar do fim das civilizações.
Regressão à barbárie que muito tem a ver com o falhanço do sistema educativo em Portugal, desde décadas.
Regresso à barbárie, porque falta de respeito pelos Direitos, Liberdades e Garantias de cada Pessoa Humana, sem o que não há Civilização e, muito menos, Democracia e Cultura.
Daí, uns palhaços.
E todas estas monstruosidades sob o manto hipócrita de “acontecimento cultural”. Onde a burguesia vai sem espírito crítico, só para ser vista.
Até porque nada de criativo ou de inovador lá se passa, para ser Cultura.
Logo, impede qualquer posição analítica inteligente.
Aos burgueses, basta-lhes parecer “politicamente correcto”.
Basta-lhes uma exibição presencial que seja vista pelos outros.
Um Povo, para ser superior, também tem de saber reagir contra as vigarices de uns medíocres, que tentam fazer passar por “cultura”, o que de facto não é.
Um Povo, para ser superior, tem de actuar contra a mais baixa decadência política, resumida à utilização do dinheiro dos contribuintes para compra de votos por TODOS os partidos que ocupam cargos públicos. E que, assim, não procedem prioritariamente ao crescimento e ao desenvolvimento obrigatórios.
Vai mais um copito? hein?!…
Por este caminho, de aqui a uns anos estaremos outra vez a quilómetros de distância do nível médio europeu. Pois parámos o crescimento e o desenvolvimento!
Um Povo, para ser superior, não pode seguir a abdicação dos actuais partidos políticos sobre o Direito e a necessidade inadiável do Povo Madeirense a mais Autonomia.
Se estes partidos já não são mais capazes do que actualmente se vê, então principalmente com a iniciativa de gerações mais jóvens, avance-se para algo de novo. Sólida e político-culturalmente bem estruturado, já não infiltrável.
As asneiradas do retrocesso civilizacional que, cada vez com mais frequência, andam a ser provocatoriamente jogadas para cima de um Povo que parece tornado passivo, levarão a Madeira para uma regressão trágica.
É preciso reagir contra o relativismo sem referências e despido de qualquer fundamentação credível.
É preciso voltar à luta autonómica, num momento em que o Estado central, por nos avaliar fracos, divididos e sem norte, cresce os abusos sobre o Povo Madeirense.
É preciso não cairmos na fraqueza de entregarmos a pouca autonomia que temos, aos inimigos históricos dessa Autonomia.
É preciso chamar os bois pelos nomes, palhaços a quem faz a apologia do desrespeito pelo primado da Pessoa Humana.
Defender o “direito de ofender” é uma fraude à Liberdade.
É fazer o jogo dos mais fortes. Sejam-no política, económica ou financeiramente.
É colocar indefesos os mais fracos, ante os poderes que vêm tomando conta do mundo e que usam estes palhaços como seus prestimosos agentes.
É a defesa do crime.
É contra a Liberdade!
E insisto. Ainda sou eu a ter de escrever isto?!…
Nesta terra, onde andam as Instituições que têm responsabilidades ante o Povo?!…”