Novo subsídio de mobilidade terá em conta o interesse público e a justiça social, pressão de passagens em horários nobres “disparou” preços

Calado mobilidade
Pedro Calado falou do subsídio à margem da inauguração da loja da Bioforma. O vice presidente lembra que o Estado gastou 33 milhões, em 2017, com o subsídio de mobilidade para a Madeira. “Um valor elevado”.

O vice presidente do Governo Regional disse hoje que há um consenso relativamente à necessidade de proceder a alterações ao subsídio de mobilidade, referindo a realização de um encontro recente, entre os grupos de trabalho envolvendo a República e a Região, onde transpareceu que a solução está adiantada, mas ainda sem dados concretos sobre os respetivos contornos. O que se presume, das declarações de Pedro Calado, é que as mudanças podem ser de vária ordem.

A preocupação, pelas palavras de Pedro Calado, não se prende única e exclusivamente pelo adiantamento das verbas provenientes das passagens. Existem outros aspetos do programa de mobilidade que poderão ser objeto de revisão neste contexto de reavaliação. O vice lembra aquilo que o Estado gastou em 2017 com o subsídio de mobilidade para a Madeira, 33 milhões de euros, e para os Açores, 22 milhões. Para explicar que é um valor elevado e que os custos dispararam, por um lado porque há mais passageiros, turistas e residentes, mas lançou uma outra razão que até agora não tinha sido colocada em cima da mesa: quem marca não tem em conta os horários, só marca tendo em vista o teto limite para o reembolso e faz pressão sobre os lugares dos horários nobres. Resultado: passagens mais caras.

Pedro Calado é claro quando diz que “o programa não está a ser correto, não está a ser bem aplicado e os passageiros não são sensíveis aos horários e não sendo sensíveis aos horários, procuram horários nobres, fazendo pressão sobre os lugares mais procurados, o que faz aumentar os preços. Temos que rever o modelo. Sabendo que constitucionalmente, está previsto que cabe ao País assegurar a livre acessibilidade aos portugueses dentro do espaço nacional, se já foi fácil justificar com uma companhia aérea pública, não tendo já uma companhia pública, é dificil manter na prática o pagamento integral. Temos que rever para um modelo socialmente mais justo, para ir ao encontro das necessidades das pessoas, mais fácil em termos de burocracia, sem ser necessário adiantar o dinheiro às companhias aéreas. Queremos um modelo fácil, rápido, mas justo. Estamos a estudar vários modelos, não quero aqui adiantar quais, mas queremos, acima de tudo, proteger o interesse público, mas também queremos um programa socialmente aceitável e bem compreendido por todos”

Pedro Calado diz que há uma nova reunião do grupo de trabalho dentro de quinze dias, prevendo-se que até final do mês de abril será possível apresentar o modelo acordado entre os Governos, Regional e da República.