
Lá longe, nos arredores de Roma, José Tolentino Mendonça foi escolhido para proferir dois exercícios espirituais da Quaresma do Papa Francisco e da Cúria Romana.
Em Machico, num prédio da cidade, as palavras do poeta estão escritas para quem quer ler. Trata-se do poema “Caminho do Forte, Machico”, da colectânea de 2006 “A noite abre meus olhos”.
O mural não é novo mas a actualidade convida à lembrança.
Eis o poema escrito na parede:
No caminho onde aprendi o outono
sob o azul magoado
os pescadores cruzavam ainda linhas
províncias clareiras
e esse gesto masculino de apagar a dor
chegava pelos percalços da terra
o carro do gelo
e os miúdos tiravam bocados para comer às dentadas
em retrato selvagem mas, juro-vos, havia encanto
havia qualquer coisa, outra coisa
nesse instante em perda
as mulheres sentavam-se à porta com os bordados
quando passavam estrangeiros
ficavam sempre a sorrir nas suas fotografias”
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