“Não gosto que me tomem por tonto, não devemos coisa nenhuma ao resto do País”, diz Albuquerque para António Costa

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Miguel Albuquerque “atira-se” ao primeiro-ministro por causa do défice.

No âmbito de uma iniciativa de agenda pública, no Salão Nobre do Governo Regional, o presidente do Executivo Madeirense voltou a reagir às acusações do primeiro ministro que foram no sentido de responsabilizar a Região pelo aumento do défice nacional.

Miguel Albuquerque disse, perante uma plateia de empresários, que “a Região está a cumprir os compromissos assumidos relativamente ao défice público”. E afirmou: “Já tenho idade, também já sou avô, para não gostar de certas afirmações. Chateia-me, não gosto que me chamem caloteiro, não gosto de ser injustiçado politicamente e em público, não gosto de ser discriminado nem tomado por tonto. E acho absurdo que um primeiro-ministro de um País democrático Europeu venha afirmar, na Assembleia da República, que a Madeira e os madeirenses devem ao resto do País o agravamento do défice público. É extraordinário porque é bizarro, um primeiro-ministro a virar portugueses contra portugueses, regiões contra regiões, para fins de demagogia política, quando sabemos que se há regiões que cumpriram, uma delas foi a Madeira. Acho de mau gosto e desfaçatez pegar em conceito e normas técnicas que não são suscetíveis de ser avaliadas no quadro do que se queria dizer. Não devemos coisa nenhuma ao resto do País, apenas temos que continuar a reivindicar o princípio constitucional da equidade no tratamento entre portugueses, quer residam no Continente, na Madeira ou nos Açores”.

Miguel Albuquerque diz que “o jogo de conquista do poder não vale tudo, sobretudo quando estão em causa, não partidos políticos, mas regiões. A Madeira vai continuar a cumprir e continuar a exigir que o Estado concretize o que deve concretizar e não o faz por motivos políticos”.