PS acusa PSD de ter “medo” que Cafôfo ganhe o Governo Regional

foto LR (arquivo)

*Com Rui Marote

Muitos foram os temas em debate esta manhã no plenário da Assembleia Legislativa Regional. O período de antes da ordem do dia iniciou-se com uma intervenção do deputado socialista Avelino Conceição, na qual este abordou o tema “o medo”. E, começando por referir-se a uma série de fobias como o receio de andar de avião, etc., prosseguiu para enunciar que o povo tem medo é que “o seu ordenado não chegue ao fim do mês”, tem medo “de ficar doente”, e de, à chegada ao hospital, “não ser bem tratado pelo serviço regional de saúde”, e, em especial, “os doentes oncológicos têm medo que faltem os medicamentos nos hospitais e nas farmácias”.

Tudo isto para prosseguir afirmando que a população tem medo “dum governo que criou ilusões aos madeirenses, prometendo uma vida melhor que no passado” mas que, na sua perspectiva, sem tem mostrado “incapaz de resolver os problemas reais da população”. Um governo que, acusou, atira sempre as culpas “ora para Lisboa, ora para a oposição”.

Por outro lado, adiantou, o PSD tem medo “que o povo madeirense queira uma mudança de políticas e de governo nesta Região”. Os social-democratas, acusou, têm medo “de perder o poder”.

Também acusou o deputado independente Gil Canha e o PTP de terem medo de “perder o seu espaço político na Assembleia Regional”.

E deu a entender que “ele vem aí”, veladamente referindo-se a Paulo Cafôfo, e que “não é um Adamastor”, mas sim um candidato ao Governo Regional, “capaz de meter medo tanto ao PSD como ao PTP e ao deputado independente”.

Ora, e como tem acontecido nos últimos tempos, esta não seria a última referência ao actual edil funchalense nos trabalhos da Assembleia, pois o ex-secretário regional da Economia, Turismo e Cultura e actual deputado social-democrata, Eduardo Jesus, invocaria de seguida uma das frases mais utilizadas por Cafôfo, a de “governar para as pessoas”, para perguntar se essa forma de governação é ignorar as instituições democráticas (óbvia referência à recusa do presidente da Câmara do Funchal em ser ouvido no parlamento regional sobre a tragédia do Monte) e “manipular a comunicação”.

Já a deputada do JPP, Patrícia Spínola, proferiria uma alocução centrada nas temáticas culturais, felicitando a Assembleia Regional por ter, nos últimos tempos, acolhido muitos concertos e outras iniciativas culturais, e para se congratular com o projecto “ACORDE!”, que visa promover os cordofones madeirenses, no caso, o braguinha, o rajão e a viola de arame, “ao ponto de se exigir, e bem, a instituição do Dia Regional dos Cordofones Tradicionais Madeirenses, a ser celebrado no dia 4 de Fevereiro”.

O JPP disse aguardar com expectativa que esta proposta chegue a plenário, e considerou que 2018 é um ano que “promete”, no que concerne às iniciativas de promoção e divulgação da música tradicional. Defendeu, nesse sentido, a homologação dos cursos de braguinha, rajão e viola de arame do Conservatório/Escola Profissional das Artes da Madeira, e que estão na oferta formativa do Ensino Artístico Especializado.

“A entidade competente nesta matéria, a agência para a Qualificação e o Ensino Profissional, solicitou que essa candidatura fosse melhor fundamentada e justificada, num processo que já se arrasta há vários anos”. Compete ao Governo Regional “agilizar o processo e resolver o imbróglio”, disse.

“Não se percebe qual é a demora numa região tão rica em história e prática dos cordofones”, referiu.

Entretanto, estiveram também em debate três votos de protesto contra o serviço dos CTT, que vários partidos consideram ter piorado substancialmente.

Também os problemas dos doentes oncológicos voltariam à ordem do dia, pela voz do partido JPP, cujo deputado, Paulo Alves, trouxe de novo à liça a proposta de um apoio especial aos doentes de cancro. Um apoio já existente no arquipélago vizinho dos Açores, que muitas vezes vem à baila na Assembleia Regional por possuir benesses que o arquipélago da Madeira não se pode gabar de ter.

Rubina Leal saltou em defesa do Governo Regional e deixou claro, tal como outros deputados do mesmo partido, que as críticas são, no entender do PSD, infundadas, pois as deslocações dos doentes oncológicos ao continente, salientou, são actualmente pagas aos utentes da Madeira, bem como o alojamento.

Entretanto, a discussão evoluiu para os direitos dos trabalhadores, no que concerne aos pretendidos 25 dias de férias na administração pública, pretendidos pelo PCP, uma proposta apoiada por vários outros partidos. Já o PSD pretende um debate mais amplo sobre a medida.

A deputada do PTP, Raquel Coelho, propôs medidas para aumentar a segurança nas levadas e veredas da Madeira e reduzir a sinistralidade.