Loja dos CTT fecha no Arco da Calheta e sindicato diz que “os trabalhadores deveriam ter aderido mais à greve na Madeira”

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Os trabalhadores dos CTT atravessam um período de apreensão com o processo de reestruturação da empresa.

As recentes ações de mobilização de trabalhadores dos CTT, na Região, não apresentaram números que satisfaça a estrutura sindical respetiva, que apontava para uma maior adesão, pelo menos na mesma linha numérica da que se registou no resto do território nacional, mesmo atendendo a que estamos perante realidades diferentes que, muito provavelmente, influenciaram o comportamento no momento da paralisação.

A empresa está em processo de reestruturação, que tem vindo a motivar diversas reações, falando-se inclusivé em dispensa de um número elevado de funcionários, no todo nacional, situação que, na Madeira, poderá ficar confinada a negociações com pessoal em idade de pré reforma.

Hoje mesmo, vários jornais deram conta que a empresa tem intenção de encerrar 22 lojas em todo o País, uma delas na Madeira, mais precisamente no Arco da Calheta, o que deverá acontecer até final da próxima semana. Neste caso, de acordo com o dirigente sindical (SNTCT), José Manuel Santos, o processo decorreu por via da negociação, com a única funcionária que ali exercia há longos anos, registando-se, da parte da empresa, o aproveitamento da situação para fechar.

Para já, não há qualquer outra informação que conduza a que estejam previstos mais encerramentos, mas aquele dirigente admite que possa ocorrer mais um ou outro, falando-se, no meio empresarial, na situação relacionada com a loja do MadeiraShopping, cujo futuro poderá ser curto.

José Manuel Santos refere que, na globalidade da empresa, de âmbito nacional, “os trabalhadores devem estar preocupados, atendendo ao que se tem passado nos últimos tempos. Com menos lucros, com o fecho de estações, a venda do património para pagar dividendos aos acionistas, tudo isso deve merecer uma atenção especial por parte dos trabalhadores”.

A greve tem sido uma “arma” utilizada de protesto, face aos acontecimentos que têm gerado, também, muitas dúvidas e especulações à volta daquela estrutura empresarial, em tempos robusta e promissora. Na Madeira, no entanto, a paralisação andou por números baixos. Nas estações, apenas uma fechou portas (no todo nacional foram duas e uma foi na Madeira), caso da que fica situada no MadeiraShopping. De resto, a maior incidência deu-se na distribuição.

Esta realidade do universo CTT na Madeira, cujo número de trabalhadores deverá situar-se entre 170 e 180, não provoca estranheza no sindicato, embora o objetivo das ações de luta apontem sempre para uma grande mobilização, como forma de dar corpo às reivindicações e aos alertas junto da populações, das entidades e da estrutura de liderança da empresa.

José Manuel Santos afirma ser sempre importante estas formas de luta e a participação dos trabalhadores, mostrando-se crítico relativamente à reestruturação da empresa “que passa por reduzir despesas de 25% de um rendimento anual de mais de um 1 milhão de euros para o administrador, eu também vivia bem com aquilo, reduzir ainda os rendimentos dos restantes administradores em 15%, e nos outros trabalhadores, como não podem reduzir no ordenado nem no subsídio de refeição, vão provavelmente querer congelar as diuturnidades e cortar algumas remunerações variáveis que temos, como sejam os subsídios de condução e de distribuição. Quem conduz ganha cerca de dois euros por diae no fim do mês são aproximadamente 40 euros, é um pouco de dinheiro para quem ganha 800 ou 900 euros”.