Andamos “aéreos” com o subsídio e com a mobilidade

icon-henrique-correia-opiniao-forum-fnÉ uma vergonha o que se passa com o subsídio de mobilidade aérea. Até com a mobilidade aérea em si, sobretudo depois desta fórmula do subsídio, que indubitavelmente agravou o preço das passagens. Era pagar os 86 euros e pronto, não se fala mais nisso. É um problema político, antes de ser orçamental.

A continuidade territorial é uma garantia que deve ser dada pelo Estado. E os governos, tanto o regional como o nacional, foram eleitos para resolver os problemas e não para criar ou fazer perdurar os problemas. Deveriam ser capazes de negociar uma solução, de acordo com os interesses em jogo, que viesse ao encontro daquilo que serve aos madeirenses, por muitos interesses que estivessem em cima da mesa. Quando os governos não puderem estabelecer pontes, quando são eles que mandam e têm os meios nas mãos, então é melhor “fechar a porta”. Até agora, fizeram, de concreto, pouco mais que zero relativamente à renegociação, e com isso, o resultado só podia ser quase zero. Estamos conversados quanto ao resultado, para não falar em empenho, porque até acreditamos que possa ter havido. Pelo menos algum. Sem que se atribuam responsabilidades diretas ou indiretas a quem quer que seja, a verdade é que se chegou até aqui sem avanços concretos, só comissões e muita conversa.

É verdade que a chegada de Pedro Calado ao Governo Regional, que assumidamente tinha um problema de comunicação, além do problema dos transportes e alguns outros ainda por resolver, fez este dossier ganhar novos contornos. Este e outros. Pelo menos ao nível da firmeza do discurso, sem tirar mérito às tentativas feitas anteriormente nem entrarmos em comparações estéreis. A verdade é que “falar grosso” tem sempre algum efeito e, diga-se, por ser real, o Governo Regional tinha uma dificuldade de falar “grosso” para fora, era mais para dentro. E por isso, Calado chegou, falou e disse que o objetivo que servia aos madeirenses era o pagamento dos 86 euros, o restante deveria ser suportado fruto de um entendimento entre governos e companhias. Mais nada. Se irá ser possível exatamente nessa medida, é outra conversa, porque mete as companhias pelo meio e o Estado, sendo pagador tardio, não dá muita confiança à elasticidade de tesouraria das transportadoras. Mas o ponto de partida para renegociar deve ser esse.

Claro que, entretanto, quem sabe não se mete uma comissão pelo meio, parece já haver um responsável que vai gerir o caso e que, também quem sabe, ainda nomeia um grupo de intervenção esperemos que rápida, se calhar com uma nomeação de cada governo, uma reunião aqui, outra acolá, até chegar ao patamar anunciado que, daqui a dois meses, a solução está lá. Esperemos que esteja cá, melhor dizendo, no tempo que foi avançado. Nesse mesmo entretanto, a “receita” governamental de distribuir notícias pelos dois jornais (já se viu que não deu grandes frutos em função de outras governanças que estão em alta, fazem a mesma coisa e na maior parte das vezes melhor), para ganhar tempo. Mas pronto, vale a pena tudo o que tem sido dito, nem que seja para passarmos melhor o Natal, mesmo que muitos madeirenses tenham centenas de euros “às costas” (quem pode ter, alguns nem puderam trazer os filhos), correspondentes às passagens pagas pelos estudantes nesta época altíssima das viagens aéreas, na esperança de que 2018 seja melhor.

Não vamos dizer que andam a empurrar com a barriga, quando até aqui já nem se sabe que tamanho a barriga tem de tanto empurrar. Neste caso do subsídio de mobilidade, mas também em alguns outros. Vamos dar o benefício da dúvida ao novo super secretário do Governo de Albuquerque, o vice presidente Pedro Calado, que pelo menos ao nível da mensagem e da clarividência argumentativa, tem vindo a comunicar de forma mais clara, “desenterrando”, de modo comedido mas percetível, uma espécie de contencioso das autonomias em “ponto de rebuçado”, como diz o povo, porque esta coisa de levantar o peito à República tem os seus aspetos positivos desde que se seja acertivo e tenha em conta a dimensão do protesto, no conteudo e na forma.

Faltava atitude, parece que Calado veio para falar. E ainda bem, se for sempre assim. Queremos, também, que venha para decidir melhor. Mesmo que não consiga tudo, venha um modelo melhor do que este. A mudança de comunicação, pelo menos por ali, é visível. Resta saber se chegou a tempo de falar tudo o que é preciso para as eleições que já são ali, ao “virar da esquina”, em 2019.

Agora, também para o vice, tudo tem o seu tempo. E no meio deste adiar constante de soluções, quer para o subsídio de mobilidade, quer para o “ferry”, quer para outros assuntos, uns da esfera do Governo da República, outros da esfera do Governo Regional, o importante é abrir e fechar o processo de uma vez e bem. Os madeirenses estão cansados de palavras e esta questão da mobilidade aérea mexe com a vida das pessoas, sobretudo em épocas altas e marcantes em termos familiares, como é o Natal. Se para a maioria, já é um sacrifício ter filhos a estudar no Continente, ganha efeitos ainda mais gravosos quando chegados a esta época de virem passar o Natal e é preciso pagar somas astronómicas por uma viagem e aguentar esse montante até que o reembolso chegue.

Os madeirenses querem soluções para 2018. Porque problemas já têm que chegue.

Boas Festas!