SPM reuniu-se ontem com o BE para apresentar preocupações dos docentes

O Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) reuniu-se ontem com o Bloco de Esquerda, ao concluir uma ronda de reuniões com todos os partidos com assento na Assembleia Legislativa da Madeira, para apresentar as principais preocupações dos docentes. De acordo com o dirigente Francisco Oliveira, foi com agrado que o SPM viu, da parte do BE, a aceitação de muitas das reivindicações do SPM.

A questão da recuperação do tempo de serviço e o reposicionamento na carreira, aquela que é uma das reivindicações mais conhecidas da opinião pública, não foi a única colocada em cima da mesa. O presidente do SPM, Francisco Oliveira, disse que há colegas que já deviam estar a ir para a aposentação, e que “já mereceriam uma vida mais tranquila”, mas que têm de continuar a trabalhar. “Muitos destes professores já não têm condições” adequadas para exercer a sua profissão, devido ao desgaste que têm sofrido ao longo dos últimos anos.

Outras questões relacionadas com a falta de condições de trabalho, de materiais didácticos e de laboratório foram abordadas, além das questões da precariedade e da falta de docentes novos no sistema educativo regional. Há muitos docentes que se vão aposentar em breve, disse Francisco Oliveira, e os professores que estão a entrar agora “não serão suficientes para compensar as saídas”.

Pelo seu lado, o coordenador do Bloco de Esquerda, Roberto Almada, referiu que o partido “tomou boa nota de todas as questões que aqui nos trouxeram”. O BE irá propor a inscrição de uma verba no Orçamento da Região que responda à necessidade do reposicionamento nas carreiras dos professores em consequência da reposição do tempo de serviço, que deve ser contada integralmente.

A RAM tem de dispender, segundo os cálculos do BE, cerca de oito milhões de euros, dos quais dois milhões ficarão nos cofres da Região, uma vez que será cobrada essa verba. Isso significará um acréscimo de cerca de cinco milhões de euros no Orçamento da Região, para garantir “essa justa reivindicação dos professores da RAM”.  O BE diz-se preocupado com a inexistência no orçamento da Região para vários sectores de actividade, de verbas para o pagamento de direitos que viram “cerceados ou roubados”. Roberto Almada aproveitou para referir uma reunião recente com o Sindicato dos Enfermeiros, na qual lhe foi transmitido que o SESARAM precisa de mais 400 enfermeiros, não havendo no Orçamento nenhum indicador de que essa pretensão vá ser satisfeita.

O BE salienta que as reivindicações de todas as classes profissionais são importantes e promete tudo fazer para que aquelas que são justas sejam atendidas, em sede do Orçamento.