A maior greve de professores dos últimos doze anos na Madeira, Sindicato diz que se há dinheiro para cimento também há para as pessoas

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Estima-se que 600 professores estiveram esta manhã na concentração, na Assembleia e junto ao Governo Regional.

Madeira assiste hoje à maior greve de professores dos últimos doze anos. Foi assim que o coordenador regional do Sindicato analisou a paralisação dos professores e educadores, com os números da estrutura sindical, relativos à parte da manhã, a darem expressão ao comentário: acima dos 70% nas escolas do primeiro ciclo e pré-escolar, acima dos 60% nas restantes. Os números da tarde não estão fechados, mas os valores não deverão andar muito longe desta dimensão.

600 professores na concentração

Francisco Oliveira mostra-se satisfeito com a mobilização de docentes, não só relativamente a este dia de luta, aderindo à greve, mas também na participação verificada durante a concentração junto da Assembleia Regional, onde dados da polícia apontaram para a presença de 600 pessoas. “Foi uma demonstração que os professores quiseram dar, acerca das suas reivindicações justas”.

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Francisco Oliveira está satisfeito com o compromisso assumido pelo secretário regional Jorge Carvalho, mas quer ver estas intenções expressas no Orçamento para 2018.

No que se prende com as pretensões dos docentes, assiste-se a posições diferentes dos governos, da República e Regional. Tanto o primeiro ministro como os secretários de Estado da tutela, vieram admitir o congelamento de carreiras, mas quanto à contagem integral do tempo de serviço, é outra coisa, uma vez que representa um encargo financeiro que António Costa classificou de “gigantesco”, embora o Executivo central deixa a porta aberta para uma eventual negociação por fases.

Passar das palavras aos atos

Na Região, o secretário regional da Educação afirmou, em declarações ao JM, que o Governo da Região está disposto a contar todo o tempo de serviço, facto que naturalmente agrada ao Sindicato dos Professores da Madeira, tratando-se essa precisamente da questão nuclear que levou a esta greve. No entanto, Francisco Oliveira aguarda que o Governo “passe das palavras aos atos e contemple esse valor já no Orçamento Regional para 2018”.

Garantia de Jorge Carvalho dá 30 milhões no Orçamento Regional

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Foi a maior greve dos professores dos últimos 12 anos na Madeira, diz o Sindicato.

E por falar em valor, aquilo que Jorge Carvalho promete, diz o dirigente sindical, representa, grosso modo, cerca de 30 milhões de euros. O Sindicato aguarda, assim, que a “boa vontade do Governo Regional” esteja expressa em termos orçamentais, embora admita negociações tendentes ao faseamento dessa medida, o que, a acontecer, dilui o envolvimento financeiro e simultaneamente repõe justiça à carreira dos professores e educadores”.

Francisco Oliveira lembra que “assistimos a notícias recentes, por exemplo a conclusão da ribeira da Madalena, no valor de 8 milhões, e começamos a questionar. Então, afinal como é? Contam mais as pessoas ou o cimento? Parece que é o cimento. Se há dinheiro para o cimento, deve haver para as pessoas. Admitindo a reposição faseada, não nos parece que 8 milhões ao ano seja incomportável para a Região e não põe em causa o equilíbrio financeiro da Madeira”.