Várias acusações para o Governo da República por falta de solidariedade com a Madeira; CMF também criticada por Raquel Coelho

Fotos: Rui Marote

As acusações ao Governo da República por falta de solidariedade para com a Madeira, em matéria de apoios às pessoas cujas habitações foram afectadas pelos incêndios, tem sido recorrente na sessão plenária de hoje, que debate o tema da Habitação, no debate mensal com a presença dos membros do Governo. Miguel Albuquerque, que foi questionado por vários dos deputados da oposição por causa das necessidades de habitação social na Madeira, não deixou passar as oportunidades de apontar o dedo ao governo de António Costa pela sua manifesta falta de solidariedade e de celeridade com a Região. Classificando as posições do governo central como “conversa fiada”, duvidando abertamente de que alguma vez cheguem à Região as verbas de apoio prometidas, Albuquerque criticou também a falta de apoio para os emigrantes recém-regressados da Venezuela.

Duas intervenções críticas marcaram a manhã, uma de Raquel Coelho (PTP), outra do deputado independente Gil Canha. A primeira foi bem mais substancial, com a deputada trabalhista a apontar baterias não só ao Governo Regional, mas também à política habitacional da Câmara Municipal do Funchal. Esta, acusou, não serve de exemplo para ninguém em matéria de habitação social, preferindo gastar verbas monumentais em publicidade, preferencialmente no DN-Madeira, e em concertos para animar o povo. Uma “hipocrisia”, classificou, que foi logo aproveitada pelo chefe do Executivo madeirense, que foi na mesma embalagem de críticas à edilidade.

Concordou que a CMF “nada fez” em matéria de casas para quem precisa e assegurou mesmo que “não construiu nada”. Já ele próprio, Albuquerque, sublinhou ter obra feita, centenas de habitações concretizadas no tempo em que foi edil do Funchal. Já Gil Canha bateu na mesma tecla de subordinação do Governo Regional aos grandes grupos económicos, o que levou Miguel Albuquerque a comentar que o deputado “está a tornar-se repetitivo” e a acusá-lo de procurar sujar o seu nome, mas em vão.