Fotos: Rui Marote
A deputada comunista Sílvia Vasconcelos apontou hoje a realidade das necessidades de habitação social na Madeira, comparando-a com a de outras zonas do país. Apesar do que foi feito, disse, as inscrições para habitação social, só no Funchal, situam-se em 3800. O Porto, disse, tem mil pedidos, enquanto Coimbra tem 600, o que é bem ilustrativo das necessidades dos funchalenses, para não citar as dos madeirenses residentes noutros concelhos. “Há um grave problema habitacional na RAM”, classificou, para questionar de seguida como pretende o Governo Regional dar-lhe resposta.
Sílvia Vasconcelos questionou porque não se insiste junto do Governo da República na extensão à RAM do PER, Plano Especial de Realojamento, que só existe ainda em Lisboa e no Porto. Dando conta das iniciativas do seu partido neste sentido, questionou ainda o Governo Regional sobre o porquê de não existir ainda na RAM um Plano Regional de Habitação, para fazer face ao problema. Questionou ainda directamente a Albuquerque se há, na Madeira, seis mil famílias a necessitarem de habitação.
Por seu lado, Roberto Almada, do Bloco de Esquerda, fez uma intervenção, como é seu costume, crítica, dizendo que o seu partido até acredita que agora vão avançar efectivamente obras nos bairros habitacionais, porque “chegou ao Governo o governante empreiteiro”, uma óbvia referência a Pedro Calado, “e os lobbies do betão começaram logo a salivar”. Abordando, por outro lado, a necessidade de se recuperarem não apenas as habitações sociais mas também as escolas e as infraestruturas de saúde, Almada disse que os bloquistas temem que esta seja, com o novo vice-presidente do Governo, uma nova era de “grandes obras megalómanas”, mas sublinhou pensar que, de facto, e mau grado o que tinha dito previamente, o investimento na habitação é uma necessidade inegável.
Albuquerque, entretanto, respondeu a Sílvia Vasconcelos elogiando a iniciativa do seu partido em querer aplicar o PER à Região; assegurou mesmo que o PSD e os seus deputados na Assembleia da República votarão favoravelmente uma proposta do PCP nesse sentido, estando, finalmente, em acordo com os comunistas. E elogiou a iniciativa da deputada e do partido, dizendo que pelo menos “não são como outros que falam grosso cá, mas lá no parlamento nacional piam fininho”.
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