
Os polémicos contratos por ajustes diretos aos amigos continuam a vir a lume, pela mão do “dispensado” secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus. Só que desta vez, os documentos dos ajustes diretos a uma empresa de um alegado amigo do secretário cessante, num total acima dos 60 mil euros, mencionam também outro governante que sai do governo, Sérgio Marques, que assina “na qualidade de secretário regional da Economia…”


Os documentos dos contratos a que o Funchal Notícias teve acesso podem resumir-se a isto: a secretaria então tutelada por Eduardo Jesus, apesar de ter dois assessores de imprensa a tempo inteiro no seu gabinete, despacha, por ajuste direto, contratos com uma empresa privada, cujo gerente é considerado amigo de Eduardo Jesus, para fazer recortes de jornais/monitorização de notícias (“clipping”) ao próprio secretário, em valores totais de 50 mil euros.
O contrato que suscita mais dúvidas está datado de 28 de julho de 2016, “procedimento por ajuste direto, com consulta, para aquisição de serviços de clipping para o senhor secretário regional-n.º12/GAB/2016″. Um acordo de um ano para a empresa privada “Press Power, Unipessoal, Lda, representada por Francisco de Luís Freitas, com sede no Caniço, num total de 17.539 euros, a acrescer o pagamento do IVA. Curiosamente, o primeiro outorgante deste contrato é “Mário Sérgio Quaresma Gonçalves Marques”, o então secretário dos Assuntos Parlamentares e Europeus, também número dois do governo, mas que assina o contrato “na qualidade de Secretário Regional da Economia, Turismo e Cultura, e em representação da RAM, com suficiência de poderes de representação…”
Novo contrato, um ano depois
Um ano depois, a 31 de agosto de 2017, Eduardo Jesus como primeiro outorgante e agora com a respetiva assinatura nos documentos, é acertado novo ajuste direto, com consulta, à mesma empresa, novamente para o clipping, no mesmo valor de 17.539 euros.

No mesmo ano, 7 de março de 2017, após convite à apresentação de propostas, “enviadas por mensagem de correio electrónico, a 26.01.17”, outro serviço tutelado por Eduardo Jesus adjudica à mesma empresa privada novo serviço de clipping. Desta vez, é a Associação de Promoção da Madeira que firma contrato, por um ano, para “aquisição de serviços de monitorização de notícias e transcrição de informação de carácter turístico sobre a Madeira em meios nacionais e internacionais, o tal “clipping”, por 16.980 euros, a acrescer o pagamento do IVA.
É ainda de referir que este último contrato é assinado pelo vogal e diretor executivo da Agência de Promoção da Madeira, respetivamente, António Gabriel de Castro Gonçalves e Roberto Santa Clara Gomes, e o empresário Francisco de Luís de Freitas.
A saída de Eduardo Jesus do Governo – com o próprio a assumir que foi dispensado por Miguel Albuquerque – tem vindo a ser também justificada ao FN pelas “ligações perigosas” do secretário cessante, nomeadamente por via dos ajustes diretos que suscitam muitas dúvidas. Sérgio Marques também não escapa às críticas.
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