Ajustes diretos e outras ligações críticas de Eduardo Jesus ditaram o seu afastamento do Governo

FOTO RUI MAROTE.

Eduardo Jesus continua hoje a afirmar que, surpreendentemente, foi “dispensado” por Miguel Albuquerque do Governo, onde teve a pasta da Economia, Turismo e Cultura. Uma posição que reafirma ao Funchal Notícias, 24 horas depois de ter sido anunciada a remodelação do Governo. “O que tinha para esclarecer, já esclareci. Fui efetivamente dispensado do Governo”,  reiterou o ex-secretário, num momento em que está a arrumar a pasta na Secretaria para fazer a passagem do testemunho. Quanto ao que fará agora, a resposta é telegráfica, “o futuro a Deus pertence”.

Os ajustes diretos…

Mas a posição de estranheza assumida por Eduardo Jesus não colhe no Governo Regional, sendo que alguns círculos falam numa “curiosa amnésia” do secretário dispensado. Fontes ligadas ao Executivo de Albuquerque recordam ao FN que a cedência do ex-secretário a uma “teia de interesses” foi fragilizando a sua governação e ditou o seu afastamento. As chamadas “ligações perigosas” de Eduardo Jesus passam sobretudo pelo facto de ter decidido, por ajuste direto, num montante de 300 mil euros, contratar os serviços do advogado da Covilhã, David Fontes Neves e sociedade, para tratar de vários processos da Região que envolvem algumas áreas da sua tutela. Uma opção muito criticada, até porque o referido advogado continental faz parte das relações de amizade de um dos irmãos de Eduardo Jesus.

Ligações à ECAM

Mas não só. Fontes ligadas ao Governo que agora deixa cair Eduardo Jesus lembram ao FN “as ligações duvidosas” entre serviços governamentais tutelados por Eduardo Jesus, que mobilizam grandes verbas, como o IDE e outros, e a ECAM, empresa de consultoria e assessoria empresarial a que o secretário cessante esteve ligado antes de entrar para o executivo.

O dossier da mobilidade também deixou mancha na atuação de Eduardo Jesus com a insatisfação inequívoca dos madeirenses perante tarifas altas das companhias aéreas e excesso de burocracias no pagamento do reembolso, sem solução à vista.

O dossier transportes marítimos também tem tido uma tramitação polémica com azedumes pelo meio. O anúncio de Eduardo Jesus de querer rever as taxas portuárias, denunciando o contrato firmado coma  OPM, e a posição do Grupo Sousa de recorrer ao tribunal, veio agitar os ânimos e reabrir grandes feridas. O descontentamento do Grupo Sousa perante a forma como este processo foi tratado, e as últimas declarações de Eduardo Jesus a afirmar que, se os empresários estão descontentes, é sinal de que as coisas já estavam a mudar, foi como “um tiro nos pés” do governante.

Tudo isto somado, acrescido de um certo distanciamento da população do titular de uma pasta de grande exposição mediática como a Economia e o Turismo, tornaram inviável a continuidade de Eduardo Jesus na governação, levando Albuquerque a apostar numa outra solução e num outro rosto.