Cidadãos do Monte preparam queixa no Tribunal Administrativo contra Câmara do Funchal

Foto arquivo FN.

Um grupo de cidadãos continua insatisfeito com a intervenção da Câmara Municipal do Funchal no centro do Monte, onde morreram 13 pessoas e 51 ficaram feridas, e garantem que vão recorrer ao tribunal. O parque arbóreo, apesar da mediática limpeza por parte de técnicos especializados, continua a “ser um perigo para a segurança pública”, o trabalho realizado “não terá sido bem feito” e, como “o presidente não considera os alertas de quem conhece o terreno”,  os populares vão mesmo queixar-se da vereação de Paulo Cafôfo no tribunal.

Os dias passam mas o assunto Monte não está esquecido. Por um lado, o processo da tragédia corre trâmites sigilosos e habitualmente morosos no Ministério Público. Por outro, a população não está conformada. O FN foi informado de que há mesmos cidadãos que vão recorrer ao Tribunal Administrativo para que a Câmara Municipal do Funchal proceda à limpeza efetiva das árvores que continuam a ser um perigo público.

Tudo isto apesar de, durante dias, técnicos recrutados pela autarquia, do Continente e de Espanha, terem “passado a pente fino”, como declarou a vereadora do Ambiente, a zona da tragédia. Mas, ao que parece, ficou ainda muito trabalho por fazer.

Quem conhece bem o Monte e a sua história, considera que “o trabalho feito no terreno não foi bem feito e continua a ser uma perigo para a segurança”. De resto, salientam, “é pena que os alertas da população passem ao lado do presidente e da sua equipa que preferiram apostar numa intervenção superficial no Monte e cortar árvores a torto e a direito na cidade para dar a ideia de que se está a fazer alguma coisa”. Por isso, “dentro de dias dará entrada no Tribunal Administrativo um processo administrativo por intimação ao executivo de Paulo Cafôfo para proceder à remoção de espécies doentes e instáveis”.

Aliás, houve mesmo um técnico galego que fez parte da equipa da CMF na recente ação de limpeza e peritagem que afirmou aos populares que havia uma árvore de grande porte a necessitar ser rapidamente cortada. Nada mais nada menos que a árvore que o FN fotografou em março deste ano, quando  um dos seus galhos caíram no Largo da Fonte, felizmente sem vítimas. Cerca de 5 meses depois, ocorria a tragédia no Monte.

Acontece que, segundo os cidadãos que contactaram o FN, há mais 3 a 4 árvores que se encontram na mesma situação e nada foi feito, uma vez que os trabalhos dos portugueses e galegos foram dados por concluídos. “Desta vez, não perdemos tempo em sensibilizações ou apelos porque somos logo rotulados de antipoder autárquico ou de eleitoralismo. Vamos apresentar os documentos e as provas nos lugares certos: no Tribunal Administrativo e a justiça que atue em conformidade com a lei”, afirmam ao FN.