BE faz proposta curiosa: uma moeda alternativa, exclusiva para o concelho de Machico

A candidatura do Bloco de Esquerda aos órgãos autárquicos do concelho de Machico emitiu hoje um comunicado algo curioso que refere: “Bom seria que a câmara tivesse uma máquina de fazer dinheiro. É uma graçola que se ouve de tempos a tempos, mas é mesmo esse o caminho para desenvolver a economia local, torná-la mais robusta e menos dependente dos ciclos da economia nacional ou internacional”.

Esclarece o partido que “não se trata de fabricar notas falsas, mas de criar uma moeda alternativa, complementar à moeda oficial e de circulação restrita ao território do município. Uma realidade em cidades como Bristol, em Inglaterra ou Lyon, em França. Não estamos a inventar nada, mas a falar de um instrumento que é usado por todo o mundo e com resultados positivos”, assegura o candidato Ricardo Giestas.

Em França surgiram mais de 30 moedas complementares locais desde a crise de 2008, em todo o mundo serão cerca de 4.000 casos, assegura o BE.

Nos anos 20 mais de uma centena de municípios imprimiram notas da sua moeda municipal em Portugal. Já existem moedas complementares em Portugal – o ticket restaurante, os cartões de pontos de certas marcas, as milhas da TAP, lembra esta força política.

A moeda pode ter existencia fisica – em notas e moedas metálicas – ou não e ser movimentada apenas com cartões tipo multibanco ou até através do telemóvel.

Pode ser vista como um cartão de fidelização de clientes, que em vez de se aplicar a uma marca, aplica-se a um território, explicam.

Para a candidatura do BE, este pode ser um instrumento muito útil para reduzir a dívida da autarquia, ao pagar parte da dívida com moeda local emitida para o efeito, para aumentar o investimento – ao pagar obras com a moeda local; aumentar o nível de apoios sociais – ao pagá-los com moeda local.

Ao usar a moeda local nos pagamentos, a autarquia favorece os fornecedores locais em relação aos de fora do seu território, mais relutantes em receber pagamentos nessa moeda.

Ricardo Giestas considera este um instrumento útil, mas que deve ser utilizado com moderação, para garantir a confiança e a aceitação pela população, com regras clara e bem definidas e aplicadas com todo o rigor.