Rubina Leal diz que “especialidade” de Cafôfo é “culpar o passado e sacudir a água do capote”

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“Nunca tivemos, na Câmara do Funchal, um executivo que tantas verbas de impostos tivesse recebido e que tivesse feito tão pouco investimento”, acusa Rubina Leal.

Rubina Leal é o PSD e o PSD é Rubina Leal. Assim, de forma simples, podemos dizer que o “aparelho” social democrata aposta “forte e feio”, como diz o povo, na candidatura daquela que é, sem dúvida, para as autárquicas, um “peso pesado” da liderança de Albuquerque para tentar reconquistar a Câmara do Funchal, que há quatro anos perdeu para a Coligação Mudança, hoje “Confiança”, liderada por Paulo Cafôfo. “Leal ao Funchal”, como expressa a frase dos cartazes espalhados pela cidade, Rubina vai ao “baú” das recordações e “puxa galões” da experiência autárquica, que é grande, para mostrar o que fez, o que disse e o que sabe.

Quer “uma Cidade para as famílias, uma Cidade de oportunidades, uma Cidade para todos”, como escreve na mensagem para o eleitorado e que consta dos prospetos de pré campanha. Resumidamente, assim numa primeira análise, promete devolver 4% do IRS às famílias, o que representa 4,7 milhões de euros, acabar com a derrama, imposto que é cobrado às empresas do município, reconquistar o galardão “Cidade Mais Limpa”.

Diz que reabilitou 70 prédios mas apresentou só um T3”

A candidata diz que a “especialidade” da gestão de Paulo Cafôfo “é culpar o passado” e “sacudir a água do capote”. Aponta a queda da árvore no Monte e a reabilitação urbana como exemplos do que afirma: “O presidente da Câmara diz que reabilitou 70 prédios e aquilo que fez foi apresentar um T3 reabilitado na Zona Velha. A Felisberta está lá, tapada com uma lona da Câmara mas eu sei que não foi adquirida. Mais um exemplo do que é não falar verdade à população”.

O que é que os funchalenses poderão esperar com uma gestão social democrata na Câmara? Rubina Leal direciona o discurso num sentido de assumir “um compromisso verdadeiro, e não apenas de palavras, de anúncios e de promessas em vão. O que está em causa na minha candidatura é a forma como eu tenho vindo a dedicar-me à vida pública e aos objetivos a que me tenho proposto, para além de conhecer a Câmara, os problemas da cidade do Funchal e as necessidades de intervenção em múltiplos aspetos. Não nego que me identifico muito com este tipo de atividade e de intervenção de âmbito autárquico, até porque uma autarquia é, por excelência, um área de proximidade, de realização das necessidades básicas da população e de criar atratividade para a melhoria da cidade”.

Entrada no projeto “com os dois pés”

Garante que entra neste projeto “com os dois pés”, não a “pés juntos” como em expressão futebolística, mas mais com os “pés assentes no chão”, lembrando que deixou a secretaria regional da Inclusão e Assuntos Sociais, para onde foi neste Governo de Miguel Albuquerque, com a determinação de se dedicar “a tempo inteiro” a este desafio que é regressar à vida autárquica, mas desta vez com a responsabilidade de liderar o projeto social democrata. Primeiro, ouvir as pessoas, depois inteirar-se das suas necessidades e criar um programa que seja “uma resposta aos problemas e ao que aconteceu nestes quatro anos”.

Foram quatro anos falhados, de promessas e propaganda

E é precisamente por aquilo que aconteceu nestes quatro anos que põe Cafôfo no alvo: “Foram quatro anos falhados, de estagnação, de anúncios, de promessas e de constante propaganda de medidas que não foram executadas. Nunca tivemos, na Câmara do Funchal, um executivo que tantas verbas de impostos tivesse recebido e que tivesse feito tão pouco investimento. Não investiu na reabilitação urbana, na rede de águas, na habitação social, no saneamento básico, nos equipamentos e recursos humanos da Câmara, no âmbito da salubridade e do ambiente, perdemos bandeiras azuis em duas praias, entre outras situações”.

Funchal desceu 125 lugares na transparência

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“Deixámos a Câmara com receitas próprias acima dos 55 milhões de euros, quase 60 por cento do total do orçamento desta câmara, com um passivo controlado e com nível de investimento invejável”.

O balanço negativo não fica por aqui. Remete para o índice municipal de transparência para referir que o Funchal “desceu 125 lugares em apenas três anos”, além de “não ter publicitado, nas plataformas digitais, como é obrigatório, mais de 80 por cento dos contratos”. Aponta a empresa “Frente Mar” para comparar executivos: “Com o PSD não dava prejuízo, com a “Confiança” dá prejuízo”. Por isso, e “por muito mais”, diz que “há uma falta de transparência nesta Câmara”, que “não fez investimento apesar de ter mais receitas de impostos”.

Deixámos a Câmara com receitas próprias acima dos 55 milhões

Para Rubina Leal, o argumento de que esta Câmara de Paulo Cafôfo “esteve a arrumar a casa” é coisa que “não cola”. Responde mesmo que “esta Câmara não arrumou nada. Em 2013, deixámos a autarquia com capacidade de endividamento, era uma referência a nível nacional e internacional e conseguimos estar em condições de uma candidatura ao PAEL”. A Câmara afirma ter encontrado, no pós governação autárquica PSD, uma dívida de 90 milhões, mas a candidata esclarece que “a autarquia tinha 40 milhões a receber, pelo que o diferencial era de 50 milhões e não 90 milhões”. E dá outros números com os quais pretende rebater as acusações da Cafôfo e da equipa: “Deixámos a Câmara com receitas próprias acima dos 55 milhões de euros, quase 60 por cento do total do orçamento desta câmara, com um passivo controlado e com nível de investimento invejável. De 2009 a 2013, anos em que já se verificava a crise, reduzimos a despesa de funcionamento em 6 milhões de euros. Além disso, entre 2005 e 2013, anos em que o PSD esteve na governação autárquica, houve uma média anual de investimento superior a 15 milhões de euros”. São números para rebater a “Confiança” de Cafôfo.

De “Confiança” a Câmara “não tem nada”

De “Confiança”, diz, a Câmara “não tem nada”. Explica que “as constantes saídas de vereadores, desde que se formou a Coligação Mudança, prova que não podemos ter confiança nesta equipa para liderar a cidade”, contrapondo com aquela que considera ser a sua equipa: “competente, com muita vontade de fazer muito mais pela cidade do Funchal. Tenho um projeto que vai criar dinâmica na cidade, para as famílias, devolvendo poder de compra, através do IRS e criando um fundo municipal de solidariedade, de 1 milhão e 200 mil euros para apoiar os que mais necessitam, com critério, bem como fomentar o apoio no transporte escolar, alargando-o até ao segundo ciclo porque neste momento só tem até ao primeiro ciclo”.

Há um “desmazelo” no Ambiente

Se há setores que revelam carências “óbvias”, como diz, um deles “é o ambiente”. Rubina Leal lembra “dois vereadores de excelência, Raimundo Quintal e Costa Neves, que acompanhavam diariamente as questões ambientais na nossa cidade. O que se nota é um desmazelo nessa área. Houve perdas consideráveis de água e é no Funchal onde se paga a água mais cara da Madeira. Claro que não são obras visíveis, mas são importantes para a qualidade de vida. É por isso que quero recuperar o galardão de cidade mais limpa e florida, que no fundo representa a base para que tenhamos uma cidade atrativa. Não posso criar o “Fica na Cidade” com uma cidade conspurcada. Não há um único dia em que não caiam fotos, no meu telemóvel, com imagens de munícipes em que são retratados episódios de sujidade em vários pontos da cidade”.

População sabe distinguir o verdadeiro do falso”

Quadro 2 Rubina
Quadro da responsabilidade da candidatura do PSD ao Funchal que visa abordar o IMI.
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Quadro da responsabilidade da candidatura do PSD ao Funchal referente à leitura social democrata sobre o peso dos impostos na autarquia.

Há quatro anos, a “Mudança” mudou mesmo a liderança na Câmara do Funchal, remetendo o PSD para a oposição. Foi mais ou menos como a penalização da gestão social democrata até então (Rubina leal fez parte do elenco camarário anterior), extensiva a outros concelhos, sublinhando um comportamento do eleitorado descontente com um determinado contexto político na Região. Quem votou quis mudar. E mudou. Será que quatro anos depois, o PSD está em condições de fazer as “pazes” com o eleitorado? A atual candidata do PSD-Madeira mostra-se tranquila: “Quem decide se o PSD deve retomar ou não a liderança dos destinos da Cidade é a população, que está informada e sabe distinguir perfeitamente o que é verdadeiro do que é falso. Sabe destrinçar claramente as falsas promessas com a ação concretizada. Tenho muito orgulho do que fiz, tanto na Câmara do Funchal como no Governo, preocupada em dar resposta”. Por isso, está convencida que o eleitorado vai reconhecer esse trabalho em função da “equipa que tenho”, reafirma.

Centros comunitários, universidade sénior, ginásios…

Mas Rubina Leal sabe, também, que o eleitorado pode estar sensível aos que questionam as razões porque não fez algumas das medidas que agora propõe para a autarquia, se esteve na Câmara e no Governo, com poderes para concretiza-las de alguma forma. A isso, responde com o trabalho que deixou aquando da passagem pela vereação camarária. Afirma ter “muito orgulho” no que fez, aponta a criação da área social, a abertura dos centros comunitários, a universidade sénior, existiam dois ginásios e agora há vários, tivemos um programa enorme nas áreas da Proteção Civil, Ambiental e de Prevenção Rodoviária, na promoção para a leitura”.

O que está em causa é a eleição para uma autarquia”

Ser candidata por um partido que está no Governo nem sempre constitui mais valia. Para mais, um partido que há quatro anos sofreu uma derrota inimaginável e que ainda se refaz de um fracionamento interno que adveio da alteração de liderança, situação que deixa sempre alguns problemas por resolver e que a todo o momento poderão refletir-se numa qualquer votação. Rubina Leal, dizem, “é mais popular do que o PSD, vale mais votos”. E é a parte boa, em termos individuais. Por outro lado, esteve desde sempre com Albuquerque e enfrenta, também, não só alguma divisão ainda consequência do pós eleições internas, mas também esse ónus resultante de pacotes governativos menos bem geridos. Esta é a parte má. A candidata, sem responder diretamente à pergunta, deixa uma mensagem para o eleitorado: “O que está aqui em causa é a eleição para uma autarquia, é escolhermos aquele candidato que é o melhor para dirigir os destinos da cidade. E sei, porque isso revela-se todos os dias, que as pessoas sabem distinguir o que foi o meu trabalho na Câmara e o que foi o meu trabalho no Governo, sabem muito bem o que é melhor e certamente vão escolher o melhor”. Rubina Leal diz que vai para ganhar, mas se isso não acontecer, deixa claro: “Hei-de sempre respeitar a decisão do povo do Funchal”.

PDM discutido “nas costas da população”

Aborda já a última questão polémica da atual liderança camarária, o Plano Diretor Municipal, que esteve em discussão pública sob um clima de desconfiança. De políticos e de técnicos que questionam, em síntese, o facto do debate ocorrer em pleno período de pré-campanha eleitoral, bem como a circunstância de estarmos perante um documento com uma base de avaliação desatualizada, na cartografia e nos censos, provocando inclusive a reação de arquitetos, que levantam algumas questões sobre o futuro da organização da cidade.

A este propósito, Rubina Leal considera que “não podemos discutir um documento da extrema importância num período como aquele que atravessamos e nas costas dos cidadãos. É preciso colocar algumas questões em cima da mesa, que se prendem com a forma como se altera o índice dos terrenos. É importante ter em conta que há pessoas que têm os seus terrenos, compraram com dificuldades e que neste momento passam de terrenos de construção para agrícolas, nomeadamente na zona de Santa Quitéria. As pessoas ficam numa situação delicada. Há gente, nas zonas altas, que com este PDM não vão conseguir legalizar as habitações. E não é este o momento para avaliarmos o PDM sem salvaguardar essas e outras situações. Além disso, há quatro anos, o PDM estava em condições para ir a discussão. Esta Câmara perdeu quatro anos”.

Rubina Leal lembra que “o PDM não existe só por causa das construções, é um documento orientador de todos os setores da cidade e por isso é fundamental auscultar a população e não apenas cumprir formalidades legais. Esta Câmara anda a brincar ao PDM”.

Projeto (Savoy) poderia ter sido pensado de outra forma

Em matéria de relacionamento institucional e de culpas repartidas entre a vereação atual e a anterior, de que a candidata do PSD fazia parte, temos a construção das ribeiras e as implicações que daí resultam em termos patrimoniais, bem como a construção do Savoy com uma volumetria que tem vindo a preocupar vários setores da sociedade madeirense. Para um caso, das ribeiras, Rubina Leal acentua um ponto prévio: “É preciso não esquecer o que aconteceu no 20 de fevereiro e esta reconstrução tinha forçosamente que obedecer a critérios de extrema segurança da cidade”. Passa a comentar o embargo feito pela Câmara, para lamentar essa decisão fazendo com que “a paragem desta obra esteja a prejudicar os moradores e os comerciantes locais”. Toca no tema “Savoy” para ser muito direta: “Não posso deixar de referir que, sem dúvida, é uma obra com uma volumetria grandiosa. Hoje, eu tenho uma visão diferente e reconheço que o projeto poderia ter sido pensado de uma outra forma. A minha visão seria para um projeto mais conservador”. Mas reconhece que estamos perante “um projeto que vai criar muitos postos de trabalho e que representa muito para a nossa economia”.

Não se sabe muito bem o que é embargo parcial

A candidata não quer deixar passar o tema sem visar, de novo, a atuação da equipa liderada por Paulo Cafôfo, sublinhando não entender porque é que a Câmara, relativamente ao Savoy, dois dias depois da tragédia do Monte, “fez um embargo parcial, a 17 de agosto, que não se sabe muito bem o que é. Mais um truque para desviar a atenção sobre a tragédia do Monte. Já vi presidentes de Câmara, por muito menos, serem condenados. É preciso apurar responsabilidades”.