“Revolta do Vinho”: Viticultores insurgem-se contra preço da uva a 50 cêntimos e falta de escoamento

Sob o título “Produção de Vinho Madeira tem futuro em risco”, um grupo de viticultores, sobretudo de Câmara de Lobos e de São Vicente, sob o anonimato,  escreveu a várias entidades explicando a sua revolta.

O FN também recebeu essa missiva que terá sido endereçada a outros órgãos de comunicação social, presidência, partidos, Ministério Público e restantes entidades do governo.

Eis a missiva:

“Somos um grupo anónimo de viticultores da Madeira dos concelhos de Câmara de Lobos e São Vicente que não aguentam mais com o terrorismo que nos estão a fazer.

Temos de fazer esta reclamação sob o anonimato porque na Madeira não vivemos uma democracia plena nem temos um livre comércio e uma economia independente e livre. Aqui quem reclama perde os clientes, perde tudo e fecham-lhe todas as portas porque a economia funciona toda debaixo dos pés dos políticos. Podemos dizer que a Madeira é um regime ditatorial muito mais avançado que o cubano. Aqui quem reclamar, mais ninguém lhe compra a sua produção agrícola, neste caso, as nossas uvas.

Temos vários viticultores a tomar antidepressivos porque não conseguem dormir porque cada ano que passa o governo da madeira piora a nossa situação em conluio com as empresas privadas que compram as nossas uvas de casta negra mole para a produção do famoso vinho madeira: As empresas da madeira abrem apenas 3 ou 4 dias e fecham de imediato, deixam de receber mais uvas ao preço de 1 euro por Kg (para uvas com 10 graus) , deixando mais de 70% da produção de uvas nas latadas para depois vir o governo da madeira dizer que vai pagar apenas metade do valor por Kg, 0,50 euros, e ainda temos de pagar o transporte das mesmas até onde o governo regional da madeira quiser. Muitos viticultores vão receber apenas metade dos rendimentos que tiveram o ano passado, o que vai causar sérios problemas nas economias de muitas famílias pobres que vivem disto. Muitos dizem que vão abandonar a viticultura.

Há viticultores ainda com muitas toneladas de uvas por apanhar, algumas estão a apodrecer e não se compreende que as estatísticas digam que o vinho madeira está a vender cada vez mais no estrangeiro mas os rendimentos dos viticultores é cada vez menor, cada ano que passa o governo da madeira do PSD está a acabar com todo o sector produtivo: Já não temos fábrica de manteiga nem queijo que era a ILMA, o sector da pecuária está mal e agora o do vinho também vai no mesmo caminho, enquanto que nos Açores e no resto de Portugal as coisas na agricultura e pecuária são bem diferentes.

A nossa reivindicação é que seja investigado se é legal que um governo compre uvas e que raios fazem depois com essas uvas pois talvez devem vendê-las a alguma empresa de algum amigo e ainda fazem lucros às nossas custas, o que é muito grave. Se realmente não há escoamento da produção, porquê continuam a dar subsídios da europa para a plantação de mais vinhas? Que fazem os presidentes das câmaras e o secretário da agricultura por nós? Os jantares de viticultores e as palmadinhas nas costas e as falsas promessas não resolvem os nossos problemas nem pagam as nossas contas no fim do mês e devem de ser demitidos dos cargos.

Aquilo que as empresas de vinhos na Madeira estão a pedir é que nos juntemos todos, criemos uma cooperativa de viticultores da Madeira, esprememos toda a uva e mandamos em camiões cisterna num ferry para o continente e depois para outros lugares da europa e do mundo para fazerem vinagre e molhos e depois vão ter de pedir de joelhos que lhes vendamos uvas para fazerem o tal vinho madeira. As uvas são nossas e podemos fazer com elas o que queiramos. No passado havia escoamento total porque exportavam para a França para fazer molhos, mas agora não fazem isso porque preferem fazer de nós viticultores, verdadeiros escravos dos senhores burgueses de gravata do Funchal.

Já tivemos várias revoltas populares na Madeira relacionadas com a farinha, cana-de-açúcar e leite, entre outras. Está cada vez mais próxima a revolta do Vinho.

Ai vem as eleições autárquicas e os viticultores e suas famílias vão saber dizer obrigado pela ajuda.

Viticultores Unidos da Madeira”.