“Porto Santo não tem capacidade de resposta em agosto”, alerta o candidato do Bloco de Esquerda

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O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara do Porto Santo afirma que “as pessoas que não estão habituadas a este ritmo de trabalho, sentem dificuldade e estão cansadas desta rotina de trabalhar três, quatro meses, e de estarem paradas o resto do tempo”. Foto Rui Marote

A diversidade de candidaturas às eleições autárquicas de 1 de outubro, no Porto Santo, assume-se como uma prova cabal da “vontade de mudar a governação autárquica”. Esta é, pelo menos, a interpretação do candidato do Bloco de Esquerda à Câmara local, um independente que vê no número de candidatos uma “preocupação com o futuro do Porto Santo” e vê nesta eleição “uma oportunidade para lançar alertas sobre problemas e mudar políticas”.

Era para ser um movimento independente

Tiago Camacho diz mesmo que estas eleições representam um momento determinante para “lançar sangue novo da atividade política”. Concorre à liderança autárquica depois de ter desenvolvido várias idéias no sentido de “contribuir para o desenvolvimento da ilha” num contexto de movimento de cidadãos. Para passar das idéias à prática, o movimento só era viável envolvendo custos, por isso a abertura do BE foi aquilo a que podemos chamar de “ouro” no que é a concretização dos objetivos a que se propôs. Ainda por cima mantendo-se como candidato independente. Melhor não era possível.

Desemprego, trabalho precário e sazonalidade

Tiago Camacho tem uma equipa de 25 independentes que entraram neste projeto para ajudar a população do Porto Santo. O candidato lembra que não está sujeito “a um programa eleitoral partidário, ao contrário do que acontece com outros candidatos”, o que lhe permite apresentar-se ao eleitorado com “uma liberdade capaz de ir ao encontro daquilo que a população pretende”.

O desemprego, o trabalho precário, a sazonalidade e a qualidade do serviço, são pilares em que assenta a estratégia de combate eleitoral tendo em vista pensar o Porto Santo do futuro. “Não temos capacidade de resposta para o mês de agosto e as pessoas, que não estão habituadas a este ritmo de trabalho, sentem dificuldade e estão cansadas desta rotina de trabalhar três, quatro meses, e estarem paradas o resto do tempo”.

A propósito, surge à colação a abordagem do modelo de desenvolvimento adotado nos últimos anos, que, como diz, “colocou de parte o social, há mais desemprego, mais insegurança no trabalho, as pessoas não sabem o que lhes vai acontecer. O Porto Santo evoluiu numas coisas e retrocedeu noutras, como na parte social, está claramente pior”.

Há gente a passar dificuldades

O candidato do “Bloco” diz que “há gente no Porto Santo a passar muitas dificuldades. Umas financeiras, outras psicológicas. Lembra que “se uma pessoa não tiver trabalho, essa realidade pode afetar a parte financeira, a saúde e ainda a componente psicológica, que leva a depressões e a situações potencialmente mais graves. É preciso olhar para esta realidade e procurar soluções”. É aqui que entra a juventude, numa procura de emprego que não há, quando há é precário em muitos casos, sendo que as perspetivas de futuro são muito sombrias.

Com 27 anos, Tiago Camacho não quer privilegiar esta ou aquela faixa etária. Sublinha que “os idosos são importantes porque neste momento pensam nos seus filhos”, mas os jovens “também são importantes porque eles representam ou deveriam representar o futuro do Porto Santo. E acho que pelo rumo que as coisas estão a tomar, se nada for feito, não haverá habitantes nesta ilha daqui a 25 anos. Talvez aí venham pessoas de fora para trabalhar e os hotéis só funcionem no verão, mas de resto não haverá vida na ilha além disso. Vai parecer aquelas ilhas que só têm hotéis”.

Plano integrado de intervenção

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“Há gente no Porto Santo a passar muitas dificuldades. Umas financeiras, outras psicológicas”. Foto Rui Marote

Combater essa sazonalidade, que no fundo está na origem de toda a realidade económica da ilha, vai exigir um plano integrado de intervenção, envolvendo o Governo Regional, a Câmara, os representantes dos grupos hoteleiros e dos comerciantes, além dos trabalhadores, todos com o objetivo comum de tornar o Porto Santo atrativo todo o ano e, com isso, criar condições de rentabilidade para investidores e se isso acontecer fomentar a criação de emprego”.

Porto Santo tem caraterísticas únicas

Tiago Camacho não coloca reservas quando afirma que “o Porto Santo tem caraterísticas únicas, relativamente a outros destinos, pelo que é importante capitalizar essa mais valia. Não temos só a praia, temos o golfe, os passeios a cavalo, os desportos de montanha, podemos oferecer pacotes atrativos para aquele turismo de retiro, permitindo a um turista descansar bem, ler um livro na praia completamente abstraído do que vai lá fora. Mas isso deve obedecer a um trabalho conjunto, não isoladamente”.

Lamenta o facto de PSD e PS, com responsabilidades na governação da Câmara, “nunca terem conseguido medidas que acabassem com a sazonalidade. Alerta para a necessidade de articular posições, o caminho “não vai com discussões, vai com trabalho e com colaboração. Numa ilha tão pequena, não podemos estar com estas divergências. Só conseguimos reduzir a sazonalidade com medidas, não é estar sempre a pedir aviões sem oferecermos o Porto Santo. Primeiro, temos que criar condições para aumentar a procura que justifique a aposta nos transportes. Os aviões não vêm vazios, primeiro há que tratar de enchê-los”.

Barco todo o ano e avião é pequeno

Por via marítima, dá-se aquele espaço mais dedicado às ligações Madeira-Porto Santo, servindo tanto a população da ilha como os madeirenses que ali se deslocam. Tiago Camacho é de opinião que “deve haver barco todo o ano”, não fazendo sentido que não haja ligação em janeiro. Por via aérea, diz que “o avião é pequeno” mas também salvaguarda que não vai entrar “em cantigas e pedir um avião de 70 lugares”. Talvez fossem suficientes os 37 lugares do tempo da Aerocondor e essa companhia fazia quatro viagens diárias”.

Neste projeto que “embarca” com o Bloco de Esquerda, o candidato à Câmara do Porto Santo defende uma “atitude proativa”. Refere que “não é só criticar e ficar em casa às espera que os problemas sejam resolvidos. Temos que trabalhar em conjunto e lançar um apelo para que as pessoas vão votar, todas”.