Candidato do PTP na Calheta para “lutar contra as desigualdades”

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Manuel Teles, o candidato do PTP à Câmara da Calheta,afirma concorrer contra “uma política de amizades e favores”

Manuel Teles é a escolha do Partido Trabalhista Português para a candidatura à Câmara da Calheta. É professor do Ensino Básico, tem uma incapacidade resultante de um acidente de trabalho, na construção civil, que o afastou da sua profissão anterior, sendo esta a primeira experiência política em consequência de um convite que lhe foi endereçado por Quintino Costa.

O candidato assenta as suas “baterias” para aquilo que considera ser “uma discriminação existente no concelho, a vários níveis”, apontando como exemplos “o acesso ao trabalho, as acessibilidades internas, nos caminhos para as casas”. Diz que “é necessário rever muitos dos procedimentos que hoje são observados na Câmara Municipal da Calheta, tendo em vista proteger as pessoas dos grandes interesses, defendendo aquilo que a população necessita e correspondendo ao que são os problemas reais”.

Concursos deviam ter mais transparência

Privilegiando o contacto direto com o eleitorado, considera essencial fazer passar a mensagem da importância de “lutar contra as desigualdades”. Critica por exemplo a forma como, tanto no Poder Regional como no Poder Local, são elaborados e abordados os concursos. Afirma que “há muita falta de transparência” e diz que “até mesmo para proteger as entidades oficiais, era necessário transmitir para o exterior todos os pormenores relacionados com os concursos, nomeadamente os lugares disponíveis em cada concurso e quantas pessoas concorreram, para evitar aquelas suspeitas de que os concursos, antes mesmo de estarem concluídos, já têm as pessoas com o perfil solicitado. Isto não é bom, nem para a Câmara nem para o Governo”.

Contra política de “amizades e favores”

Manuel Teles concorre contra “uma política de amizades e favores”, diz que “toda a gente tem direitos e é preciso que os políticos sejam as instituições a garantir esses mesmos direitos, devem ser elas a dar o exemplo. Quando isso não acontece, algo está mal. É contra esse estado de coisas que quero lutar”.

Colocado perante a dimensão do concelho, o candidato do PTP considera essa uma dificuldade acrescida para gerir. Recusa o discurso do “tudo está mal”, até porque não é isso que pensa. Admite que foram feitas “coisas positivas para o concelho, nomeadamente na freguesia da Calheta”, mas por outro lado também lança uma crítica sobre o que não foi desenvolvido no interior do concelho, nas freguesias mais afastadas. “Vemos o turismo muito centralizado na vila e quando olhamos para a globalidade do concelho, verificamos que a partir do Estreito da Calheta, a população está esquecida. Claro que não é tudo por culpa da Câmara, uma vez que o Governo também ainda não concluíu a obra da via expresso para a Ponta do Pargo, um investimento que é extremamente importante para o desenvolvimento de toda aquela zona. Neste momento, a falta desse acesso dificulta a mobilidade das pessoas e cria dificuldades até na criação de empregos. Fica complicado”.

Ainda há ideia de perder a reforma se votar noutro partido

A hegemonia do PSD é observada por Manuel Teles como sendo um comportamento de “satisfação, ou pelo partido ou pela pessoa em causa”. Na sua opinião, talvez a votação no PSD seja mais da responsabilidade do presidente da Câmara, “se calhar cativa as pessoas”. Ou então, lembra, “é mesmo por tradição, uma vez que a população é predominantemente envelhecida e ainda tem aquela ideia de que mudar de partido representa perder as reformas. Isso acaba por dar mais votos ao PSD quando o PSD não anda a dar nada a ninguém”.

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Manuel Teles tem uma deficiência nos membros inferiores resultante de um acidente de trabalho. Agora é professor e queixa-se que a Região não cumpre com as quotas para pessoas com deficiência nos concursos de colocação de docentes.

A juventude do concelho está como as outras: alheada da política. “Uns jovens emigraram, outros nem querem saber de votar, consideram que não vale a pena”. Manuel Teles diz que os mais novos “estão desiludidos com a política, sem emprego, e os poucos que têm é trabalho duro de manhã à noite sem a devida compensação financeira”.

Para um pequeno partido, como o PTP, num universo conservador em que a mudança é sempre encarada como muito distante da realidade, o candidato revela que nos contactos que tem mantido com o eleitorado, recebe palavras de encorajamento. Diz que “as pessoas dizem-me para ir em frente e que apostam em mim”. Conhece o perfil do eleitorado, a que não está alheio o facto de residir no concelho há 22 anos. É natural do Continente mas ficou por via do casamento e acabou por fixar residência neste concelho. Falta saber se o capital entretanto adquirido irá ter reflexos a 1 de outubro, na hora do voto.

Região não cumpre quotas para pessoas com deficiência no concurso de professores

Manuel Teles revela, durante a entrevista, uma situação que, não tendo propriamente a ver com esta luta eleitoral, tem sido determinante para a sua insatisfação relativamente ao facto de ser deficiente sem acesso às mesmas condições das pessoas sem deficiência, nomeadamente nos concurso de colocação de professores, que na Madeira não respeita a legislação, cumprida no resto do País e também nos Açores, onde existem quotas de entrada para pessoas com deficiência. Desabafa, por isso: Nos concursos da Função Pública, não vemos entrar deficientes, lá está mais uma questão onde falta transparência. O mesmo se passa nos concursos para professores. Veja nos Açores, que em cada três deve entrar um deficiente. Aqui na Madeira só trabalhei onze meses. Depois do acidente de trabalho que tive, recorri à Câmara para poder ter acesso a um trabalho, mas todos os presidentes, incluindo este, protelaram o assunto e nunca resolveram nada. Umas vezes era porque tinha a quarta classe, diziam que se tivesse o sexto ano era mais fácil. Tirei o sexto ano, diziam que talvez com o nono. Tirei o novo, diziam que talvez com o décimo segundo, parecia gozo. Acabei por continuar, fui mais além e consegui”.