Estepilha: Se este exemplo alentejano pega…”Chiça”…

Galvão Montemor
É assim à moda do Alentejo. Simples, “puro e duro”. E os madeirenses ainda se queixam da “poluição visual” e das frases sem imaginação “cá de casa”.

Estepilha, ainda nos queixamos da pré campanha cá pelo burgo. Porque se repete a palavra cumprimos, porque se recorre a um banco de imagens para tentar agradar a miúdos e graúdos, porque as mensagens parecem repetitivas e com falta de imaginação, porque os candidatos lutam pela conquista do eleitorado com as armas que têm na mão, num método sempre igual. Claro, as queixas são legítimas em democracia, mas aquilo que os madeirenses não sabem é que “estão no cantinho do céu”, como antigamente dizia o povo para falar da pacatez da Madeira quando ainda não havia este rebuliço de terra turística com hotéis que sobem andares como quem sobe um banco de jardim, e de terra cheia de candidatos, que aparecem como “tremoços”, que ninguém acredita de onde apareceram, mas que estão ali, em quase todos os concelhos, para baralhar o eleitor, que já tem tantos espaços no boletim de voto que não sabe para que lado se vira. É giro, divertido e aumenta o poder de escolha.

Mas descansem que este “cantinho do céu” é uma “paz de alma” comparando com o que vai por aí. Como em Montemor-o-Novo, um concelho alentejano, onde do fundo do coração o candidato do PS decidiu zurzir bem forte nos ouvidos e na imagem da presidente da Câmara, que é da CDU, que se chama Hortênsia dos Anjos Chegado Menino. Olímpio Galvão, um homem que surge candidato e que já teve palavras de apoio de João Galamba, não faz por menos e toca a “apertar o cerco” a Hortênsia dos Anjos, que é também Chegado Menino. Galvão foi Menino suficientemente Chegado à frente para arrasar a governação autárquica de Hortênsia, a quem nem os Anjos parecem suficientes para travar este avanço vertiginoso de Olímpio, um homem disposto a marcar a diferença para ganhar a autarquia.

Galvão começou pelo cartaz “40 anos do mesmo – Chiça, Porra que é Demais”, arrojado, nunca visto, mas visto em tamanho suficiente para não passar despercebido. O homem explica, na sua página de facebook, que a frase não é sua, é de um grande amigo. Com amigos destes, não se sabe se Galvão vai lá chegar a tempo de tirar Menino da Câmara, mas a verdade é que, se formos pela originalidade, o homem do PS teve coragem de apresentar um cartaz daqueles para descrever o que, em sua opinião, foram anos de “atraso” da gestão autárquica em Montemor-o-Novo.

Mas Estepilha, o homem disse em Montemor-o-Novo, uma frase que já caíu de “velha”, embora nunca transposta, assim daquela forma, para um cartaz eleitoral. Quantas vezes, mesmo por cá, nos apeteceu fazer aquilo que o senhor Galvão mandou fazer e que parece não estar a incomodar o PS, partido de poder e sobre o qual já muitos, muitos como quem diz, muitos do PSD, tiveram vai não vai na ponta da língua, quase quase a disparar a frase “galvanizadora” do “Chiça, Porra que é Demais”.

Se isto pega de moda, e vem do Alentejo em força, um dia destes temos uma campanha arrojada, pisando o risco das normas até ao momento observadas, correndo o risco de Galvão ser considerado o homem que abriu caminho para a revolta em cartaz.

Se todos fizerem como Olímpio Galvão, temos problemas. “Chiça”…

Nota –

A- Só para que os nossos leitores fiquem um pouco mais identificados com a mulher sobre quem pende a crítica de Olímpio Galvão, temos que se trata da atual presidente da Câmara, tem 39 anos de idade, nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Vila em Montemor-o-Novo, reside em Silveiras.

B – Olímpio Galvão apresenta-se, assim, ao eleitorado: “Nasci em Montemor em 1972, filho do “Mestre Olimpio Galvão e da Avó Veva (como lhe chamam os meus filhos e os miúdos que cresceram junto dela), aqui cresci e desde cedo integrei a escola de música da Sociedade Carlista, onde sou músico desde 1984 e onde tive a honra de ser presidente da direção de 2008 a 2013…