“Câmara de Lobos não tem visão estratégica, não mudou nada”

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João Paulo Santos, candidato do CDS/PP em Câmara de Lobos, diz que “hoje, as pessoas estão muito mais recetivas à mudança do que estavam há uns anos”. Foto Rui Marote

A estratégia do CDS/PP para Câmara de Lobos, onde candidata João Paulo Santos à presidência da Câmara Municipal, passa por não falar dos adversários. O candidato diz que “cada um faz o seu melhor e certamente que todos estão empenhados”, mas não se coíbe de abordar a questão do ponto de vista da gestão autárquica nestes quatro anos, lançando para debate um número que pretende seja de reflexão, para explanar durante a entrevista, mas sobretudo para o eleitorado: “Se recuarmos quatro anos, verificamos que houve cerca de 60 milhões de euros de receitas, 15 milhões por ano. E quando pensamos, agora, em 2017, perguntamos o que é que mudou. E realmente, não mudou nada”. Deixa claro, em síntese, que “Câmara de Lobos não pode ser um concelho, como agora, que vive da publicidade”

As pessoas não têm noção das receitas

João Paulo Santos diz claramente que “as pessoas, os eleitores, não têm noção da receita e da despesa, não fazem esse raciocínio. Estão muito alheias aos números e quando falamos deles não entendem. Mas quando os colocamos de uma forma simples, acabam por entender sobre aquilo que uma Câmara poderia fazer com 60 milhões de euros. O CDS/PP também vai fazer esse desafio a si próprio para avaliar o que pode fazer com essa verba. É aqui, neste patamar, que eu me coloco”.

O candidato centrista considera “errado estarmos a elogiar quem faz o que deve fazer, as pessoas são pagas para serem funcionários do povo, não para um cargo que lhes vai dar mais importância ou lhes vai dar maior protagonismo social. Quem é eleito coloca-se ao dispor da população e trabalha para a população, embora saibamos que, na prática, isso nem sempre acontece. Mas esta é a minha postura, esta é a posição que o CDS/PP defende para Câmara de Lobos”.

Muitos anos passados a “mandar piropos para o ar”

É militar na reserva, dedica-se ao associativismo e à agricultura, nasceu em Câmara de Lobos, considera-se um homem da terra e nunca dali saiu para viver noutro lado. “A minha vida sempre foi neste concelho, quero contribuir para o desenvolvimento das populações, com uma visão estratégica a dez anos, pelo menos, como forma de preparar o desenvolvimento para o futuro”.

Considera que “Câmara de Lobos não tem visão estratégica”, reforçando a ideia que quem teve responsabilidades neste concelho “passou muitos anos a mandar uns piropos para o ar”. Diz que há quatro anos, o que diziam era que Câmara de Lobos ia explodir do ponto de vista turístico, um catamaran a fazer viagens e chegada de turistas até dizer chega. O que é que vemos hoje? O catamaran veio mas já foi, os turistas passam e vão embora, não permanecem porque fazem o circuito, acontece o mesmo na Ribeira Brava e noutros concelhos”.

Aposta no turismo social para contrariar visão de conjuntura

Na perspetiva do candidato, a visão sobre o turismo no concelho “está exagerada”, lembra que este fluxo pode ser conjuntural, bastando acabar alguns conflitos no norte de África, no Médio Oriente e até na América Latina, para ficarmos rapidamente com o turismo a diluir. É um setor que depende desses fatores externos, por isso é importante termos uma estratégia e criarmos condições de sustentabilidade que possam não estar tão ligados a conjunturas”. E neste contexto, defende o fomento de um “turismo social, um nicho de mercado ligado ao associativismo, com unidades mais viradas para grupos, do género pousadas sociais. São esses grupos que dão vida, que dão dinâmica e que permanecem à margem de conjunturas internacionais. Câmara de Lobos não tem oferta nesse âmbito e o CDS pretende criar condições para isso, até porque este concelho tem todas as potencialidades”. E neste particular, até já tem local pensado: “As instalações da antiga escola do Espírito Santo, que é património do governo mas que poderia ser alvo de negociação”.

Agricultura pode ser sustentável

João Paulo Santos olha o futuro de Câmara de Lobos e coloca a agricultura num plano muito acima daquela que é, hoje, a discussão sobre o desenvolvimento e as potencialidades do mundo agrícola. Defende medidas que tornem o setor sustentável, o que neste momento não acontece, em sua opinião, porque “não coordenamos a nossa produção”. A posição que expressa está assente na visão sobre o concelho, mas ainda mais pela experiência que tem enquanto viticultor e bananicultor que é. “O vale da Quinta Grande, tanto do lado da Vera Cruz como a Caldeira, poderia dar hoje uma grande horta, de tal modo que não teríamos que esperar tanto pelos produtos do Continente ou de Espanha. Não conseguimos isso, nem tão pouco conseguimos que os agricultores se associassem. Defendo que a Câmara Municipal deve desempenhar, neste caso de coordenação agrícola, um papel importante para que a nossa economia local seja orientada por nós e não pelos outros, no exterior”.

Defende ordenamento para a economia paralela

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O candidato do CDS/PP considera que o concelho deve apostar no turismo social e afirma que a agricultura tem futuro. Foto Rui Marote

Uma crítica que faz, no âmbito do estado atual do município, vai para aquilo a que chamamos “economia paralela”, diz haver o que classifica de “empresas à porta fechada”, referindo claramente que essa realidade “está a penalizar o concelho e os que cumprem”. Fala da prestação de serviços, de oficinas, com “mão de obra que está dependente de favores e sem que tenha qualquer direito, porque as empresas não estão como entidades mas como pessoas. E repare que não são elas que estão mal, devem é ser devidamente enquadradas com políticas e locais próprios para se instalarem com condições e sem serem fortemente penalizados em termos de taxas. É preciso resolver o problema, instalando as empresas em mini parques empresariais, retirando-as da estrada e permitindo um outro ordenamento do território. Esta solução até poderia ir ao encontro de uma outra organização empresarial que corresponda às dificuldades de emprego que o concelho tem”.

As pessoas querem mudança”

Na parte propriamente dita de pré campanha, tem a sensação que “as pessoas querem mudança em Câmara de Lobos e dizem-me convictamente que vão votar em mim. Vejo nas redes sociais e no dia a dia, uma intenção que os eleitores têm de haver alterações políticas no concelho. Acho que hoje, as pessoas estão muito mais recetivas à mudança do que estavam há uns anos, o que pode realmente marcar a diferença”. Para o candidato “o CDS tem uma equipa preparada, capaz, para governar a Câmara. Se quiserem entregar a Câmara ao CDS, estamos devidamente preparados”.

A campanha do CDS no concelho vai custar pouco mais de 12 mil euros. A campanha correspondente a estas autárquicas, porque o candidato ressalva o facto do partido “estar em campanha há quatro anos, sempre a ouvir as pessoas e sensível aos seus problemas”. O dinheiro, “pouco relativamente a outros partidos”, será aplicado em fazer chegar às pessoas a mensagem, num momento que considera “positivo” e que revela “o crescimento que o CDS tem vindo a registar, não só em quantidade, mas também em qualidade”.

Concelho com “graves problemas ambientais”

E tanto assim é, como refere, que não teve dificuldade para formar a equipa de candidatos. Precisava de uma engenheira do Ambiente, porque Câmara de Lobos tem “graves problemas ambientais”, e conseguiu que a pessoa convidada dissesse logo que sim.

Detém-se um pouco na questão ambiental para fazer alusão ao projeto Agenda XXI, que vem do início dos anos 2000 e que visava a sustentabilidade do território, privilegiando o ambiente. Nessa sequência, denuncia o facto de Câmara de Lobos “não conseguir fazer, ainda, a recolha seletiva de lixo” de ter entregue “todo o saneamento básico à ARM” e ser “um concelho sujo”, criticando também o facto da recolha de lixo, “apenas duas vezes por semana”, ocorrer, num desses dias, à sexta-feira “quando as pessoas fazem a limpeza das casas aos sábados, altura em que os caixotes ficam a abarrotar e esperam pela terça-feira seguinte para a outra recolha”.


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