“A minha equipa está preparada para fazer a viragem na Ponta do Sol, é um pedido da população”.

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Célia Pessegueiro diz que “o PS na Ponta do Sol vai correr sem olhar para trás…É muito interessante o que estamos a assistir no concelho, com semelhanças relativamente ao que aconteceu em 2005”. Foto Rui Marote

Célia Pessegueiro é uma aposta forte do Partido Socialista para ganhar a Câmara Municipal da Ponta do Sol. Está na linha da frente dos socialistas mais conhecidos dos madeirenses, já foi líder da JS Madeira, já teve vários combates políticos autárquicos no concelho onde volta a ir a votos, quer mostrar o que vale se o eleitorado lhe der a confiança de ocupar o lugar que até 1 de outubro é de Rui Marques, a presidência da Câmara.

Vai ao histórico do partido, neste concelho, para estabelecer uma comparação que pode indiciar comportamento idêntico, então assumido pelos eleitores. Lembra que em 2005, o PS esteve muito perto de vencer a Câmara, “na altura sentíamos que isso que era mais do que provável, era visível na predisposição demonstrada pelos eleitores. Acabou por não acontecer, por razões diversas, mas a verdade é que, nesse ano, o concelho da Ponta do Sol era o único que estava em perigo para o PSD, o que hoje não acontece depois de em 2013 o Partido Social Democrata ter visto reduzir a governação autárquica para quatro câmaras e hoje estar numa situação de ter duas em perigo”.

Orgulho-me da equipa

Podemos dizer que nunca o concelho da Ponta do Sol apresentou este retrato eleitoral, com o partido normalmente vencedor a conviver com alguma perturbação interna, que pode muito bem prejudicar o resultado, beneficiando em consequência os adversários. Célia Pessegueiro prefere falar daquilo que o PS tem para oferecer às pessoas, a começar pela formação das listas: “Orgulho-me da equipa, de ter conseguido pessoas competentes para as juntas de freguesia, que conhecem muito bem os locais e as gentes. Depois é que me concentrei na equipa para a Câmara, com a preocupação de encontrar gente séria e com a ficha limpa, com competências técnicas em áreas que fazem falta na Câmara”.

PS a correr sem olhar para trás

Faz questão de colocar o objetivo independentemente do que aconteça nos outros partidos, nomeadamente no PSD: “A nossa preocupação é o trabalho que estamos a desenvolver junto das populações, sem ter em conta o que se passa nas outras forças políticas. O PS na Ponta do Sol vai correr sem olhar para trás. Estamos a menos de dois meses das eleições e é importante que possamos continuar com a estratégia definida para a campanha, de modo a podermos transmitir a mensagem pretendida. A minha equipa está preparada para fazer a viragem na Ponta do Sol, é um pedido da população. As pessoas dizem-me isso diariamente. Perguntam-me se é desta vez que a Ponta do Sol muda. Eu digo que estamos a trabalhar para que o eleitorado corresponda no dia de votar e decida realmente mudar. É muito interessante o que estamos a assistir no concelho, com semelhanças relativamente ao que aconteceu em 2005. Este é o sentimento. Em setembro, já teremos uma avaliação muito mais próxima do que poderá vir a acontecer”.

Rui Marques diz que sim mas para concretizar é outra coisa

A gestão social democrata na autarquia, liderada por Rui Marques, não é propriamente um “poço de virtudes”, na perspetiva da candidata socialista. Chegou a acusar o presidente da Câmara de “sonso”, precisamente porque “vai dizendo que sim às pessoas mas para concretizar é outra coisa. As pessoas confirmam e dizem-me que o principal problema do Rui Marques “é demorar nas respostas, em coisas que os munícipes precisam para o seu dia a dia, uma simples licença de habitação, burocracia para construção de casa, além de pequenas intervenções que foram permanentemente adiadas, como por exemplo a caminho da praia dos Anjos e na zona do Livramento, onde a queda de paredes interrompeu as estradas e até hoje não houve solução. São obras simples, num caso arrasta-se há mais de um ano e noutro caso para lá caminha”.

Madalena do Mar é terra esquecida”

Outra crítica que lança sobre a governação autárquica prende-se com a centralização de eventos na sede de concelho. E mesmo assim “à conta do investimento privado, de hotéis, cafés e restaurantes”. É de opinião que “o investimento público serve apenas para criar as primeiras condições para alavancar a economia”, referindo, neste particular, que “a Câmara da Ponta do Sol deveria ter investido em zonas fora do centro para criar atrativos à iniciativa privada e, com isso, dinamizar freguesias e sítios menos visíveis e que congregam menos eventos. Há zonas que sem aposta pública dificilmente serão criadas condições de atratividade para investidores. Dou-lhe dois exemplos: a Levada do Poiso, junto ao campo de futebol e acima, e a Madalena do Mar, que tem apenas a praia e a Festa da Banana e pouco mais. A Madalena do Mar é uma terra esquecida. Os Canhas, é diferente, tem mais movimento de pessoas, sempre teve, embora sofra do mesmo problema da falta de investimento”.

Levada do Poiso é de particular relevância

Para Célia Pessegueiro, a zona da Levada do Poiso é de particular relevância, “é o primeiro lugar com café quando se desce do paul da Serra”. Defende que “uma maior atenção permitia criar estacionamentos e novas centralidades, iria fazer com que as pessoas parassem mais ali para fazerem os percursos das levadas. Acho que há ali uma área de negócio por explorar. E a verdade é que neste momento nem dá prazer parar lá, precisamente porque existe uma desorganização do próprio espaço público, não está um sítio aprazível”.

Importante criar emprego

Quando a candidata lança uma visão para o futuro, enquadrada naquela que é a estratégia partidária que suporta este desafio, não faz sequer uma pausa para responder no momento em que se confronta com a pergunta “por onde gostava de começar?”. Responde “desemprego”, um problema que é transversal a todos os concelhos e que ali, na Ponta do Sol, assume também uma dimensão suficiente para preocupar. “Temos que encontrar uma forma para criar emprego. As áreas de reabilitação urbana vão atrair pessoas e, com isso, criar novos negócios à volta do turismo, com a respetiva criação de emprego”.

Foco na atividade turística

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Não pede diretamente o voto, mas acredita que o eleitorado vai reconhecer o trabalho do PS. Foto Rui Marote

O foco é na atividade turística, como de resto acontece no todo regional. Mas não é só isso, diz Célia Pessegueiro, apontando que “há um espaço de mercado para a criação de gado, nas zonas altas, particularmente na zona dos Canhas, que de acordo com informação que recolhi, indica que, neste momento, a produção de leite é totalmente escoada para o Santo da Serra, havendo uma margem para produzir mais. Podíamos explorar essa vertente”.

Durante os meses de verão, o desemprego baixa, mas para a candidata “o importante é resolver o problema estrutural”. Diz que o número de desempregados, na Ponta do Sol, andará pelos 600, sendo que 60% deles estava no desemprego há mais de um ano. Há uma grande percentagem de pessoas com mais de 50 anos e tem uma grande dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Ou há incentivos concretos ou então a situação não se resolve”.

Quatro casos, quatro soluções

Do conjunto de situações que o eleito presidente da Câmara vai enfrentar, algumas merecem atenção especial: marina do Lugar de Baixo, zona litoral subaproveitada, edifício da polícia, degradado e pouco adequado à função e influência da abertura do túnel Madalena-Calheta para a população. Há mais, mas estes estão na ordem do dia, sendo a solução de forma direta ou articulando com as entidades que têm as competências, Governo Regional nuns casos, Administração Interna noutro.

Célia Pessegueiro considera a situação da polícia fácil de resolver. Diz já ter sido proposto, em tempos, que a polícia poderia ficar instalada nuns terrenos onde funcionava um parque de estacionamento provisório. Não aconteceu. De qualquer forma, o que me parece discussão pacífica é que o local onde a polícia está neste momento não tem condições, no edifício e nos acessos, é ridículo estar assim. Penso que a solução deveria sair de um terreno na faixa entre a rotunda da vila da Ponta do Sol e o extremo onde se encontra o armazém da banana”.

Marina “é uma vergonha” mas devem tirar tapumes

A Marina do Lugar de Baixo, como diz a candidata, “é um espaço que o mar vai levar”. Classifica de “vergonha” aquela obra, mas defende que “os tapumes devem ser retirados”. Até porque, como faz questão de referir, “não podemos andar a tapar todas as burradas que foram feitas ao longo destes anos”. Defende um arranjo da zona norte da Marina, junto à estrada, “para que as pessoas possam passear na zona considerada segura”.

Criar condições para fazer praia mais cedo

No que se refere à zona litoral, com várias zonas acessíveis de praia, a Ponta do Sol “tem condições ímpares”, como sublinha. Reconhece a existência “ de algum investimento de manutenção”, mas aponta uma necessidade de uma maior intervenção tendo em vista “atrair as pessoas mais cedo ao concelho, talvez antecipando a criação de condições de praia”.

Quanto à recente inauguração do túnel que liga a Madalena do Mar à Calheta, Célia Pessegueiro deixa clara a sua posição: “Qualquer solução que se encontre deverá salvaguardar os dois sentidos na marginal da Madalena”.