Candidato do PSD garante que o partido “está forte” na Ponta do Sol, admite que a Marina foi “projeto que não deu certo” mas quer aproveitar as piscinas

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Virgílio Pereira diz que se ganhar as eleições na Ponta do Sol, a população pode contar com “um concelho de proximidade, autêntico e fundamentalmente preocupado com as pessoas, com a justiça e com a transparência a todos os níveis”. Foto Rui Marote

É com uma “lista bem preparada”, que corresponde “à representatividade de todo o concelho”, que o candidato do PSD à Câmara da Ponta do Sol vai para este “desafio” de 1 de outubro. O contexto não é fácil, as especificidades que foram aparecendo, nomeadamente de âmbito partidário, trouxeram um quadro diferente e potenciador de alguns problemas, que neste momento estão num plano de “guerra fria”, mas que a todo o momento poderão emergir e criar dificuldades acrescidas, que se somam às que são naturais de um qualquer período eleitoral. O posicionamento do atual presidente da autarquia, eleito pelo PSD, relativamente à escolha de Albuquerque para a candidatura “laranja” ao concelho, não é segredo para ninguém nem já constitui novidade. As divergências de Rui Marques, um apoiante de Manuel António nas internas, são públicas, logo notórias. Um concelho que era PSD e ponto final passou a ser PSD e alguns pontos de interrogação. Com outros partidos à espreita de uma “aberta” para aumentarem o pouco rendimento autárquico de há quatro anos para o PSD Madeira.

O partido deve estar focado e motivado nas autárquicas

Virgílio Pereira, advogado, militante social democrata, ex-presidente da JSD Ponta do Sol, no tempo de Jaime Filipe Ramos à frente da JSD regional, quer “separar as águas”, diz que “essa é uma questão que deverá ser vista a seu devido tempo, um tempo que está circunscrito ao período de eleições internas”. Sabe que quando colocamos a questão em cima da mesa, tinhamos como última referência a entrevista de Rui Marques ao DN Funchal. Sem fugir ao tema, não esconde a necessidade de colocar algum “ponto de ordem” remetendo para a estratégia que tem para a sua candidatura: “O partido deve estar motivado e focado, agora, nas eleições autárquicas. O PSD está forte na Ponta do Sol, todos os presidentes das comissões políticas de freguesia têm demonstrado isso diariamente e inclusive o presidente da comissão política concelhia (Rui Marques) tem marcado presença nas nossas reuniões com toda a solidariedade e disponibilidade”.

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O candidato do PSD à Câmara da Ponta do Sol admite que o “timing” da entrevista de Rui Marques, o atual presidente, poderia “ter sido outro”. Foto Rui Marote

Timing” da entrevista de Rui Marques “poderia ter sido outro”

O candidato afirma “compreender” a entrevista de Rui Marques, diz mesmo tratar-se de “um direito que assiste a todos os militantes”. Considera que neste momento “é uma questão paralela” que na “devida altura será discutida”. Reconhece, no entanto, que o “timing não foi o melhor, poderia ter sido outro”. Confessa que sempre disse que os “timings são quase tão importantes quanto as decisões”, mas também diz que o partido está suficientemente forte e determinado no seu trabalho, isso é que é importante”. E quando falamos do eleitorado e a reação a estas questiúnculas na “família social democrata”, esclarece que “o PSD tem uma grande aceitação na Ponta do Sol, tem ouvido as pessoas, que é o mote da minha candidatura, registando as suas preocupações, o mesmo acontecendo com as diversas associações do concelho. A iniciativa “Passo a Passo”, que visa a deslocação aos sítios onde aferimos as dificuldades, tem vindo a mostrar que o PSD tem uma grande aceitação”.

Descentralização e Ponta do Sol como um todo

Desses contactos que tem estabelecido com o povo e com as “forças vivas”, o candidato social democrata sente que o pulsar da população vai no sentido de “uma maior descentralização”, no fundo “uma visão do concelho da Ponta do Sol como um todo”. A essa preocupação popular responde com o programa do PSD, “que tem uma linha de orientação que vai precisamente nesse sentido”. Foca-se na requalificação das zonas históricas por todo o concelho, na constituição de uma rede de ecomuseus, na recuperação de caminhos reais e veredas, que possam levar a outras zonas o desenvolvimento que as pessoas pedem”.

Rede ecomuseológica e rotas temáticas

A dinamização da economia e a componente social são propósitos fundamentais para o candidato. “Na parte económica, temos que desenvolver um turismo qualificado, apostando na sustentabilidade e autenticidade, envolvendo a criação de uma rede ecomuseológica que venha preservar o património natural e material, estabelecer rotas temáticas, recriação de transportes antigos e a valorização do património hídrico, certificando as levadas”. Aponta ainda a “desmaterialização e modernização dos procedimentos administrativos, tendo em vista uma maior economia processual”. Acrescenta “a transparência, através de uma plataforma digital, remodelação dos serviços, fomento do emprego e do empreendedorismo, para fixar os jovens, uma aposta numa cultura formativa, diversificada e descentralizada, dinamizadora de diferentes tipos de público”.

Requalificar o antigo centro de saúde

Passa à parte social para garantir que um dos seus objetivos, entre outros neste domínio, é “combater o isolamento dos idosos”. Afirma que pretende “requalificar o antigo centro de saúde, no centro de dia na vila da Ponta do Sol”, aponta metas que vão diretamente para aquilo que denomina “banco de ajudas técnicas”, além de defender a “aposta na saúde preventiva” e no “envelhecimento ativo”, sublinhando o reforço dado pela Câmara naquilo que se prende com a alimentação e medicamentos, vestuário, nas consultas de famílias carenciadas, entre outros apoios que são fundamentais e que justificam uma atenção muito especial à componente social do concelho”.

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“É preciso reinterpretar a frente mar do concelho, melhorando as infraestruturas das praias, reabilitando os cais da Ponta do Sol e da Madalena do Mar, criando zonas de lazer e introdução de rotas marítimas com finalidade turística. Foto Rui Marote

Um pouco por todas as freguesias da Ponta do Sol, existem situações que constituem um chamado “bico de obra” para quem vai dirigir os destinos da Câmara nos próximos quatro anos, nuns casos com responsabilidade direta, noutros procurando encontrar soluções através de um binómio relação/pressão para que a morosidade não seja o “modus operandi” da atuação. O edifício onde se encontra a PSP, cuja degradação e localização exigem uma intervenção célere, a zona litoral do concelho, que muitos consideram estar menos bem cuidada, as obras da promenade junto à ribeira da Madalena do Mar, com a ponte destruída pelo mau tempo, além da Marina do Lugar de Baixo e o novo túnel que pode comprometer o comércio da Madalena, são assuntos aos quais um presidente de câmara não pode escapar.

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Virgílio Pereira defende a construção de um enrocamento, na praia dos pescadores, na Madalena do Mar. Foto Rui Marote

Intervenção no cais e enrocamento na praia dos Pescadores

Virgílio Pereira está plenamente consciente de todos esses casos. E passa a tocar ponto por ponto:

– “É preciso reinterpretar a frente mar do concelho, melhorando as infraestruturas das praias, reabilitando os cais da Ponta do Sol e da Madalena do Mar, criando zonas de lazer e introdução de rotas marítimas com finalidade turística. Temos que intervir com um enrocamento na praia em frente ao núcleo habitacional dos Pescadores, por forma a evitar o desaparecimento do calhau, sendo esta uma pretensão das pessoas que ali vivem, que querem preservar o espaço praia em condições, para os locais e para os visitantes”.

– “O edifício da polícia é um assunto que não é da Câmara, é do Ministério da Administração Interna. Segundo sei existem três projetos modelo, a Câmara já disponibilizou espaços, mas o avanço depende da disponibilidade da República. É um assunto para estarmos atentos”.

Requalificação na ribeira da Madalena do Mar envolve 7,5 milhões

– “A zona balnear e a reconstrução da ponte junto à ribeira da Madalena do Mar, destruída pelo temporal, já foram alvo de algumas reuniões com o Dr. Sérgio Marques, que veio explicar o projeto, concluindo-se que se trata de uma obra necessária, uma vez que aquela ribeira envolve muito perigo. Apesar do PS ter considerado haver outras prioridades, é preciso ter em conta que o montante para ali destinado, 7,5 milhões de euros, só pode ser aplicado em obras de risco, pelo que não pode ser desviado para outros fins. Além de que se trata de um investimento importante para o concelho e para a Madalena”.

Aproveitar piscinas, tirar os tapumes em projeto que “não deu certo”

– Relativamente à Marina do Lugar de Baixo, Virgílio Pereira tem a ideia de aproveitar as piscinas, uma oferta que o concelho não tem. “Houve um grande investimento por parte do Governo, de proteção da encosta, pelo que poderá haver um reaproveitamento dessa zona, preferencialmente por privados”. Mas há outro aspeto que o candidato considera prioritário: tirar os tapumes. Lembra que “impedem a vista mar no nosso concelho, que era uma referência no passado e que queremos volte a ser no futuro”. Admite que se tratou de “um projeto que não deu certo. Na política, os grandes projetos e as grandes ideias correm também grandes riscos. O PSD deve ver os erros com frontalidade e tentar remediar com a solução possível. Estamos preparados para enfrentar os erros do passado”.

Estrada da Madalena sempre nos dois sentidos

– Quanto à reação popular, relativamente à abertura do novo túnel de ligação à Calheta e a eventualidade da promenade ficar com sentido único, o candidato do PSD deixa claro: “Não faz sentido colocar a estrada da Madalena com um sentido, neste momento não estão criadas condições para isso. A Madalena do Mar deve ser pensada com o projeto que merece, mas sempre tendo presente os dois sentidos”.

Com o PSD, será um concelho de proximidade

Há quem defenda que uma câmara da mesma cor política do partido que está no governo, pode condicionar o nível reivindicativo e, com isso, prejudicar as populações em domínios onde possam existir divergências de opinião em relação a determinados investimentos. O candidato social democrata não concorda. Antes pelo contrário, considera que “há toda a vantagem em haver o mesmo partido na Câmara e no Governo”. Salvaguarda o facto do Governo, em sua opinião, tratar as câmaras “da mesma forma”, mas no caso de ser do mesmo partido, também diz, “há uma outra proximidade e entendimento que podem ser benéficos na agilização de processos e decisões, sem ultrapassar a legalidade das questões”.

Com uma liderança PSD na Câmara, em consequência das eleições de outubro, promete Virgílio Pereira, a população pode contar com “um concelho de proximidade, autêntico e fundamentalmente preocupado com as pessoas, com a justiça e com a transparência a todos os níveis”.

Não faz sentido termos os cartazes que temos hoje

A campanha do PSD já começou. Mas a intensificação acontecerá a meados de agosto, aponta mesmo o dia 21 como o dia do “tiro” de partida para essa fase mais forte. O porta a porta é a base, mas é possível um comício ou outro em zonas específicas. Considera que “a forma atual de fazer campanha é um pouco poluente e já deveria ser outra”, mas reconhece que “há uma necessidade de não quebrar bruscamente com a tradição, por isso vamos manter o mínimo do visual e do sonoro. Não faz sentido termos os cartazes que temos hoje, sobretudo com o mundo digital como está. As campanhas devem, futuramente, partir para o digital, evitando toda esta poluição”.