
*Com Rui Marote
O restauro da imagem de Santa Maria Madalena, padroeira da paróquia da Santa, no Porto Moniz, está envolto em polémica. Os mais atentos às questões do património alertam para um “restauro grosseiro e mal explicado” que não dignifica a peça de arte na sua originalidade. O antes e o depois da imagem têm desencadeado o descontentamento também dos populares que não se identificam com o restauro.
A controvérsia já circula nas redes sociais com a projeção da imagem restaurada e que alegadamente adultera o exemplar original datado de seiscentos, comparando-se ao que terá acontecido em Espanha, em 2012, com a peça “Ecce Homo”, de Elias Garcia, na Igreja do Santuário da Misericórdia, em Borja.
O Fórum de Conservadores e Restauradores denunciou aquilo que considera ser um ato de destruição do património cultural nacional, conforme imagem que o FN reproduz de seguida.

Na paróquia da Santa, a imagem de Santa Madalena saiu à rua por ocasião do seu dia, a 22 de julho último, mas quem percebe de arte não esconde a desilusão total: “Pintaram o manto, baseados num resto de pormenor existente da policromia original; o cabelo passou da cor natural a dourado, em ouro fino; o cálice teve igual destino: as mãos, a cara e o peito, pela sua brancura, parecem duma divindade nórdica. Parece que nada escapou, à exceção das costas, que deve ter faltado verba, e pintaram de qualquer forma. É lamentável, dado tratar-se de uma imagem valiosa, histórica, digna de estar num museu”.
Ninguém explica ou indica o autor da obra e questiona-se se a Direção Regional de Cultura (DRC) foi chamada a dar parecer ou sequer orientar este trabalho. Questiona-se ainda sobre a satisfação do pároco e da respetiva população.
O FN contactou o pároco da Santa, mas o sacerdote Fernando Freitas não alimenta polémicas, dizendo, de forma categórica, que não presta declarações sobre o assunto.

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