Parlamentos da Macaronésia encontram-se em fórum de 17 a 20 de Julho de 2018 nos Açores

Fotos: Rui Marote

Os presidentes dos parlamentos dos Açores, Canárias e Cabo Verde,  respectivamente, Ana Luís, Carolina San Sabástian e Cabo Verde, Jorge Pedro dos Santos, estiveram hoje numa reunião na Assembleia Legislativa da Madeira, ao final da qual, acompanhados pelo presidente da ALRAM, Tranquada Gomes, que os recebeu, apresentaram a realização das IX Jornadas Parlamentares do Atlântico. Estas decorrerão no arquipélago dos Açores, mais precisamente no Faial, de 17 a 20 de Julho do próximo ano.

Desde 2009 que estas Jornadas não se realizavam; em 2016 decorreram em Canárias, na sequência de uma proposta dos Açores.

A presidente do parlamento canário sublinhou hoje na Assembleia Legislativa Regional que o VIII Encontro foi um êxito que se pretende repetir, concretizando uma série de encontros de trabalho cujos resultados terão reflexos positivos junto da União Europeia, concertando interesses das regiões da Macaronésia numa tomada de posição comum para fazer valer os seus interesses nas instâncias internacionais.

“Somos regiões pequenas, mas com grande coração e grandes potencialidades”, salientou.

Por seu turno, a representante dos Açores destacou que, quando aquele arquipélago entendeu, em 2015, voltar a realizar as Jornadas, estava convencido de que seria importante retomar esta actividade, tendo-se tal perspectiva consubstanciado na prática. Este, na perspectiva da oradora, “é um fórum que nos permite partilhar informação e debater questões importantes para todos, como o desenvolvimento sustentável e, acima de tudo, o mar”.

“O facto de termos levado este projecto à Europa é uma forma de dar mais importância às regiões da Macaronésia”, considerou, realçando a importância da partilha de informação em múltiplas áreas de interesse comum.

As nonas Jornadas, opinou, devem ser uma forma de “reforçar os laços que nos unem e de reflectir sobre o futuro das nossas ilhas”.

Já o presidente do parlamento cabo-verdiano salientou que a Macaronésia é um espaço importante por várias razões: tem grande potencial de desenvolvimento de turismo e de crescimento económico – recebe actualmente mais de 17 milhões de visitantes por ano, afirmou – e esses resultados devem ser traduzidos em bem-estar para as suas populações; além disso, tem responsabilidades e trabalho a fazer nos domínios económico, social e do equilíbrio ambiental.

Uma parceria entre as regiões da Macaronésia terá também reflexos na segurança mundial, considerou, já que o Atlântico é uma área importante e não negligenciável no que diz respeito ao tráfico de pessoas, à ameaça terrorista e outras situações. Pode, em seu entender, servir de “tampão” a certas ameaças, incluindo provavelmente o tráfico de droga, e, por outro lado, pode ser uma porta de entrada no relacionamento com a África Ocidental.

Por outro lado, e  a nível ecológico, há todo um “santuário” a preservar.

Por seu turno, Tranquada Gomes defendeu a necessidade de concertar estratégias, sublinhando a importância goestratégica da Macaronésia e a necessidade de criar sinergias que permitam aos governos das diferentes regiões melhor defender os seus interesses comuns na Europa. “Os parlamentos não se demitem das suas responsabilidades”, salientou, “num mundo cada vez mais globalizado”.

Há que alertar, pois, as instâncias internacionais para a “importância” do espaço da Macaronésia, fazendo com que as regiões ultraperiféricas vão ao encontro dos centros onde as grandes decisões internacionais são tomadas. Os propósitos destas IX Jornadas, afirmou, “são políticos, económicos e culturais”.