(…) Ontem foi o Funchal, hoje Pedrógão, amanhã…

Pronto! Já estamos todos alarmados com os incêndios e as suas cada vez mais catastróficas consequências. Agora cai o Carmo e a Trindade, o país ficou de luto com a brutal ceifa de vidas, colocando o incêndio de Pedrógão na lista dos mais mortíferos da história mundial.

Mas foi preciso ceifar 64 vidas, e a horrenda lista pode ainda aumentar.

Maquiavelicamente logo aparecerem os arautos do branqueamento da culpabilização. Claro que os culpados são todos os políticos deste país que exerceram cargos de decisão nestas áreas, que assobiaram para o lado, que adiaram e fecharam os olhos à reforma da propriedade florestal. E nós todos, quando nos falta consciência ambiental.

Há tanto por fazer. Desde acabar com as capelinhas do poder e dificuldades acrescidas na coordenação dos processos– nesta matéria da floresta e sua gestão e nos processos de combate aos incêndios estão envolvidos nada mais nada menos do que três ministérios – e revolucionar o modo como olhamos a floresta, no seu enquadramento e gestão, já para não falar nos interesses económicos contraditórios instalados.

Mas foi preciso chegarmos a esta calamidade para começarmos a ver jornalistas evidenciar as contradições e a muita inércia dos políticos.

Em minha opinião a situação calamitosa a que o País chegou pode ser lapidarmente descrita pela seguinte constatação. Mais de metade da área ardida na União Europeia é portuguesa. Não é ficção, aconteceu em 2016.

Preocupa-me sobremaneira o que pode vir a acontecer na nossa maravilhosa terra se, entrementes, não forem tomadas as acções adequadas. E que levarão anos a produzir os efeitos desejados. Trabalho de gerações.

Se me perguntarem para definir a nossa terra num substantivo, não obstante obviamente o cariz redutor de utilizar um mero substantivo na síntese de toda esta maravilha onde vivemos, arriscaria dizer Natureza.

Não considerando aqui os argumentos que a racionalizam, um dos quais, o maior, o peso da vida humana, uma das prioridades deste governo e de um qualquer futuro terá de ser sempre este: Zero incêndios na floresta.

Impossível, claro! Mas o fundamental é a mentalidade política e social que tal objectivo encerra e a sociedade que viabiliza.