Clara Tiago apela no parlamento a uma junção de esforços no sentido de criar nova política de saúde mental na RAM

Fotos: Rui Marote

A deputada social-democrata Clara Tiago abriu hoje os trabalhos da Assembleia Legislativa Regional,  no período de antes da ordem do dia, com uma intervenção que congregou o interesse do seu próprio partido mas também da oposição, que reconhece que esta é uma das parlamentares do PSD que mais “pensa fora da caixa” e habituou já o plenário, como disse Roberto Almada, do Bloco, a “intervenções com conteúdo”.

O tema escolhido foi a Saúde mental, na Região. O “tempo das depressões e da ansiedade”, como lhe chamou,  cria problemas graves no dia-a-dia, numa “sociedade de excesso de informação num mundo frenético de globalização”. Criticou também o facto de a sociedade actual estar a favorecer “alguns traços de personalidade anti-social”, criando personalidades pouco importadas com o bem-estar dos outros. As doenças mentais,  afirmou,  são mais comuns do que se pensa. Abordando a pobreza,  um “flagelo humano”, que “arrasta muitos dos nossos concidadãos para a criminalidade”, Clara Tiago  denunciou a exclusão social e incentivou a “alavancar soluções”, apelando à criação de, mais do que soluções clínicas,  mecanismos legislativos no sentido de proporcionar a integração “de tais cidadãos no universo social a que pertencem”.

Apontou o facto de Portugal apresentar dos mais altos valores de prevalência de perturbações psiquiátricas, 22,9 por cento, apenas comparáveis com a Irlanda do Norte e dos EUA.

A depressão e a ansiedade, disse, afectam cerca de 20 por cento dos portugueses num determinado momento das suas vidas.

Citou, a propósito,  o dr. Saturnino,  referência da psiquiatria na Região,  numa entrevista recente, na qual defendeu ser necessário mudar o serviço de saúde mental na Madeira, alertando para o facto de que a realidade tem vindo a piorar nos últimos anos, devido sobretudo ao elevado consumo de álcool e de outras drogas. Saturnino,  recordou, defendeu que deverá ser realizado um estudo sobre o estado de Saúde mental por uma entidade psiquiátrica independente.

Lembrou,  porém,  a propósito,  que o Governo Regional criou recentemente linhas orientadoras para a saúde mental, tendo criado para o efeito um Conselho Consultivo da saúde mental, visando criar um novo plano que esteja mais próximo dos cidadãos nos respectivos Centros de Saúde locais.

“Urge de facto assegurar um reforço dos profissionais de psiquiatria no Serviço Regional de Saúde da Madeira”, considerou.

O Plano Regional de Saúde Mental, sublinhou,  é de fulcral importância. “As políticas de saúde mental devem ser assertivas”, disse Clara Tiago. “A saúde mental não é partidária,  nem ideológica,  nem sofista! Ela reclama o contributo de todos os cidadãos”, enfatizou, lançando um repto à Assembleia Legislativa Regional. O de “em conjunto,  contribuirmos,  das diferenças que nos caracterizam e nos individualizam, para o delinear de uma política de saúde mental, que vá ao encontro do propósito principal”, ou seja, a integração social das pessoas que sofrem de doenças mentais, para que,  dentro das suas limitações,  se possam sentir pessoas realizadas.

Roberto Almada, do BE, voltou a abordar, a propósito e saudando,  como dissemos, esta  intervenção,  um tema que o Bloco tem abordado múltiplas vezes: a falta de consultas de psiquiatria no hospital, com quase mil pessoas que “esperam e desesperam” por consultas de saúde mental.