Primeiros doze cacifos para os sem-abrigo serão instalados no Campo da Barca

O edil do Funchal, Paulo Cafôfo, destacou hoje à margem da conferência intitulada ‘Estar sem abrigo’, que decorre nos Paços do Concelho, que a Câmara tem tido uma actuação “proactiva” no que concerne à situação das pessoas sem casa. A sua perspectiva é sempre a de que “estar sem abrigo” deve ser uma situação provisória e não de carácter permanente.

Para Cafôfo, há três hipóteses de actuação: ou ignorar os sem-abrigo, ou tentar retirá-los da rua à força, ou então, de uma forma planeada, concertada e profissional, procuramos que elas próprias, com recurso a acompanhamento, possam sair da rua e ter acesso a uma vida autónoma e independente”.

O presidente da CMF considerou que o acordo com a Associação Conversa Amiga (ACA) que vai instalar cacifos especiais para os sem-abrigo no Funchal é uma primeira abordagem ao problema, complementada pela conjugação com a colaboração com outras entidades, para “ajudar com dignidade as pessoas que estão a viver na rua”.

Os cacifos, defendeu, permitem aos sem-abrigo guardar em segurança os seus bens, por mais modestos que eles sejam. Também são pontos de contacto para estabelecer relações de confiança e contacto com as pessoas que estão na rua, um ponto de partido para criar um projecto de vida para essas pessoas.

Os primeiros doze cacifos serão instalados no Campo da Barca, num “trabalho inicial”.

“É claro”, reconheceu Cafôfo, “que, além do cacifo, será necessária uma casa, possivelmente uma casa de transição, que sirva para as pessoas se capacitarem de que podem ter uma vida completamente normal”. As questões do emprego, por outro lado, são fundamentais.

“Não acredito que haja alguém que goste de estar na rua, não ter um lar e conforto”, disse Cafôfo, confrontado com a questão de se não há sem-abrigo por opção própria. “Acredito que as pessoas foram levadas a essa situação, e temos de lhes dar uma mão, recuperá-las para uma vida como a que todos nós temos”, referiu.