Nivalda Gonçalves quer “Ribeira Brava atrativa e na moda” e diz que a sua candidatura não é “nem de guerras nem de birras”

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“Gostava de lançar uma marca Ribeira Brava, com produtos do concelho”. Foto Rui Marote

Quando o PSD-Madeira decidiu não recandidatar Ricardo Nascimento, atual presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, às eleições autárquicas de 1 de outubro próximo, sabia-se que o panorama político naquele concelho nunca mais ia ser como era. Nem é agora nem será depois das eleições. Viesse quem viesse, teria um grande desafio pela frente, fruto das divergências internas da máquina social democrata, que já ninguém pode esconder, e que, diga-se, não são de agora, já têm vindo a ser registadas há algum tempo. Se a tensão, latente, irá ser dissipada pelo ato eleitoral, só depois se saberá e vai depender, obviamente, dos resultados. Da vitória ou da derrota. Dos números atingidos, quer num caso, quer noutro.

Olhar à esquerda e ao lado

Nivalda Gonçalves foi chamada para esta “batalha” e, desde logo, as movimentações colocaram-lhe escolhos pelo caminho, mais do que já era previsível. Ricardo Nascimento recandidata-se pelo Movimento “Ribeira Brava Primeiro”, onde está o CDS/PP, mas além disso surge Luís Drumond, um social democrata que decidiu avançar, com o apoio do JPP, alargando ainda mais aquela que era a idéia de divisão social democrata no concelho. Agora, a candidata do PSD tem, forçosamente, que olhar à esquerda, onde está o PS e os restantes partidos dessa área política, mas não é segredo para ninguém que a preocupação vai estar mesmo ao lado, outrora um mesmo lado de partilha.

Nivalda tem contra o facto de se submeter à decisão do eleitorado com o PSD dividido. A seu favor, traz um percurso que lhe dá experiência e conhecimento. É da terra, só assim podia ser, é formada em Gestão, esteve numa instituição bancária, na Ribeira Brava, já foi líder da JSD-Madeira, deputada do PSD, na Assembleia Municipal da Ribeira Brava e na Assembleia Regional, desempenhando presentemente as funções de presidente da Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM), desempenho que afirma ter trazido uma mais valia a esta caminhada política, que espera ter sequência na eleição para a liderança da Câmara da Ribeira Brava.

Desafio “aliciante” e “difícil”

Em matéria de desafio, reconhece que “é tão aliciante quanto difícil”. Mas também, diz, “sempre estive disponível para todos os desafios que o partido entendeu e sempre abracei todos com muito empenho e carinho, não sendo esta uma exceção. Trata-se de um trabalho a favor da minha terra, onde sempre vivi e onde sempre desenvolvi um trabalho em prol do desenvolvimento. Esta candidatura traz-me, por outro lado, a possibilidade de estar junto das pessoas da Ribeira Brava, contribuindo, com elas, para a criação de condições tendo em vista desenvolver ainda mais o concelho”.

Divisões já eram visíveis antes de ser candidata

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“Não temos ideias fixas, não vou para estas eleições apenas com as minhas ideias e, nesse cenário, estamos a auscultar toda a população, temos feito debates temáticos, descentralizados, inovadores, arrojados, ao ar livre, pensando no concelho como um todo”. Foto Rui Marote

Nivalda Gonçalves não quer entrar nas questiúnculas políticas que hoje dominam a vida dos ribeirabravenses. Prefere um outro caminho e afirma que, em primeiro lugar, quer “olhar para o futuro”. Quando a confrontámos com a realidade do PSD, relativamente a todas as dúvidas criadas, faz questão de priorizar o discurso noutro sentido. Quer falar mais da mensagem e da sua campanha. Já lá vamos. Antes, lembra que as divisões já eram visíveis, na Ribeira Brava, muito antes de ser candidata, provocando inclusive demissões. Trata-se de uma situação que tem a ver, localmente, com a falta de uma liderança forte”.

Não é com uma borracha que se apaga o passado dos candidatos”

A forma como pretende convencer o eleitorado das suas potencialidades políticas para merecer uma escolha, tendo como oposição duas candidaturas da área social democrata, vai assentar, segundo os objetivos que definiu, no pressuposto que as pessoas “não devem ter memória curta”. E explica: “Não é com uma borracha que se apaga o passado dos candidatos. Trabalhei sempre para as vitórias do PSD na Ribeira Brava e estive ao lado de todos os candidatos, nunca virei as costas a ninguém. E por isso, é com o mesmo empenho que vou para estas eleições, com a equipa, com todos os apoiantes e todos aqueles que queiram colaborar. Não temos ideias fixas, não vou para estas eleições apenas com as minhas ideias e, nesse cenário, estamos a auscultar toda a população, temos feito debates temáticos, descentralizados, inovadores, arrojados, ao ar livre, pensando no concelho como um todo”.

Mostrar uma “candidatura inclusiva”

Nivalda Gonçalves diz que vai mostrar “uma candidatura inclusiva, de toda a população de todas as freguesias. Vamos sítio a sítio, zona a zona, para que possamos ter a noção exata dos problemas que afetam o concelho, dos mais pequenos aos maiores, sempre com uma perspetiva de trabalho para o desenvolvimento global”.

A pré-campanha e a campanha, bem como toda a atividade que já começou, representam períodos diferentes, mas o posicionamento será o mesmo. Não contem com Nivalda Gonçalves para incidir a sua ação nas críticas aos adversários. “Estou focada no futuro. Não estive na autarquia durante estes últimos anos e o meu objetivo é atender, sobretudo, ao momento atual do concelho e quais as propostas para melhorar esse mesmo futuro. Não estou numa candidatura para guerras, nem para amuos e birras. Acima de tudo, as pessoas precisam acreditar que este é um projeto para o futuro e é isso que me move. Quem me conhece sabe que gosto de trabalhar pela simplicidade, na proximidade das pessoas”.

Criar atratividade, a Ribeira Brava tem que estar na moda

A candidatura aponta horizontes, de forma bem clara como faz questão de salientar. A palavra “atratividade” surge como o primeiro sinal do que pretende fazer, representa o que falta ao concelho. “Temos que criar atratividade, criando condições para o investimento público e para o investimento privado. Mas para isso, precisamos que estabilidade política. A Ribeira Brava exige essa estabilidade, como forma decisiva para acarinhar a aposta dos empresários e os inúmeros turistas que nos visitam. A Ribeira Brava tem que estar na moda. E nesse sentido, é necessário definir uma estratégia, que passa pela reabilitação urbana, nos centros da freguesia e no centro da sede de concelho. Queremos abrir duas faixas de rodagem na baixa da Ribeira Brava, para facilitar a organização do próprio centro da vila e dar outro dinamismo ao centro”.

A criação de isenção no custo do estacionamento, durante as primeiras horas de utilização, é uma das medidas que pretende adotar, faltando definir a forma de colocar esse vantagem em prática, que até pode passar, também, por um desconto na compra de qualquer produto no comércio local. Estamos a estudar essas possibilidade.

Criar uma marca Ribeira Brava

Mas Nivalda Gonçalves diz que “é preciso mais”. Também na promoção, onde se torna importante “concorrer com os concelhos vizinhos”, através de um plano bem definido. E dá outra idéia: “Gostava de lançar uma marca Ribeira Brava, com produtos do concelho, associando pequenos artesãos, através dos seus produtos. Tudo isto faz parte da promoção e da atratividade”.

Dinâmica é para manter durante o mandato

Além da questão dos acessos, que considera importante, Nivalda Gonçalves aponta a necessidade de criar, nas instalações da Câmara, um gabinete multidisciplinar, que “atenda bem as pessoas”, referindo que, apesar de não estar ainda concluído o manifesto eleitoral, já existe uma dinâmica de campanha “que é para manter durante todo o mandato na Câmara”, declaração à qual está subjacente um elevado grau de confiança. E é mesmo: “Acredito numa vitória. E esta dinâmica é aquela que vamos imprimir se formos eleitos”, reforça.

Centro Desportivo a utilizar pela população

A Ribeira Brava debate-se com alguns pontos que têm sido alvo de discussão e debate, ao longo dos anos e, particularmente, nesta fase de lançamento de campanhas: O Centro Desportivo, a escola, o cais e a estrada que liga à Tabua e que está há muito tempo encerrada sem solução à vista. São problemas que se colocam, para análise, à candidatura de Nivalda Gonçalves, que expressa uma posição sobre cada um deles: “Relativamente ao Centro Desportivo, desenvolvemos ali um debate sobre o desporto e chegámos a algumas idéias, como seja por exemplo o município contratualizar algumas horas de utilização para a população, em geral, ou às instituições, de forma gratuita, procurando assim que uma infraestrutura criada no nosso concelho, possa ter melhor aproveitamento”.

Orçamento com verba para o cais e reabertura da estrada para a Tabua

Em relação ao cais, defende que “deve ser uma prioridade. Sei que o Orçamento da Região contempla uma verba para a recuperação, sendo esta, na realidade, uma necessidade.; A escola é uma outra necessidade e está em fase de concurso. No que toca à estrada de ligação à Tabua, já estivemos a pedir sugestões, no sentido de tornar o projeto viável e proceder à reabertura da estrada. Queremos criar soluções, mesmo que sejam faseadas, para podermos aproveitar aquela frente-mar lindíssima que temos aqui no concelho.