O crime das cantarias num edifício secular

Rui Marote
Ou é do malho ou do malhadeiro… Enquanto uns recuperam, outros destroem.
No passado dia 15 de Março, o Funchal Noticias alertava que o edifício do Recolhimento do Bom Jesus estava ao abandono. Porém, de nada valeu o nosso alerta. Enquanto se recuperam as cantarias da Sé (mesmo que, como dissemos, de forma superficial) danificam-se as cantarias da capela do Bom Jesus, que ladeia o Recolhimento.
De nada valem os pergaminhos deste edifício, um exemplar da estética barroca do século XVII, que guarda algumas peças valiosas de Seiscentos, das quais se destaca um pequeno mas valioso presépio em caixa de vidro. De nada valem as visitas das ‘Capelas ao Luar’ para sensibilizar para a importância deste património. É letra morta. Não há rei nem roque. Isto está entregue a quem, questionamos.
Quem manda? Igreja, DRC, Monumentos Nacionais? Quem foi o cérebro desta ideia de colocar um corrimão de ferro fixado na cantaria da escadaria e do portal da Capela? Isto é um daqueles crimes bem básicos de lesa-património, nem é preciso haver julgamento…