Crónica Urbana: Já chegámos ao Senegal?

 

Rui Marote

No anterior mandato, o Governo Regional aprovou um regulamento para a cedência da Praça do Povo a actividades. Sinceramente, gostaríamos que a directora da APRAM o lesse e não embarcasse em cedências solicitadas por Associações de Vela ou outras entidades, para agradar a gregos e troianos. Tanto quanto sabemos, a directora da APRAM tem um currículo de respeito pelos conhecimentos adquiridos na sequência de serviços prestados em anteriores administrações.

A Praça do Povo foi inicialmente um local de discórdia, mas a sua construção é hoje cobiçada para qualquer evento. O estado do referido espaço começa a merecer uma manutenção imediata e se assim não for a degradação alastra-se. Os custos de recuperação irão pesar nos cofres frágeis da APRAM.
Recordo que há alguns anos atrás o palco preferido para feiras e outros eventos do tipo era a placa central da Avenida Arriaga, que em certos dias mais parecia o mercado de Casablanca. Todos os meses era o monta e desmonta da aldeia da “roupa branca”.
A Câmara Municipal teve o bom senso de acabar com estas feiras num espaço central da cidade, transferindo-as para o Jardim Municipal.


Hoje, porém, todos os caminhos dirigem-se para a Praça do Povo e, como o Povo é Quem Mais Ordena, este espaço transformou-se numa autêntica Khatmandu.
As imagens que publicamos hoje são esclarecedoras de um evento de terceiro mundo, rotulado de “workshops”. A praça foi cedida para os dias 7, 8 e 9 de Abril para aquilo a que chamam Festival Itinerante em Veleiro “Festina Lente”.
Trata-se de seis veleiros que estão 15 meses em digressão por vários países, com 25 pessoas, entre artistas e marinheiros, fazendo 30 escalas: França, Itália, Espanha e Marrocos.
Temos de colaborar, mas há regras. Será que a Festina Lente em las Palmas – Canárias monta este “workshop” no Parque de Santa Catalina ou no calçadão de Las Canteras? Será que em Casablanca, Marrocos, monta esta feira junto à mesquita? Será que em Itália monta na Praça do Vaticano? Seráque em Barcelona monta nas Ramblas?


Esta caravana já esteve na marina da Calheta e tem agendado para o Porto Santo para os dias 14 e 15 de Abril a que chamam projectoa autofinanciado, Festival do Chapéu. Tudo isto é alegremente regado com cerveja e os copos de vidro tem um depósito de um euro com retorno. A água é da nova marina (cedida) através de mangueira para reabastecimento das palhotas erguidas .
Isto é muito giro, mas achamos que Khadafi tinha “razão” quando citou que a Madeira pertencia a África… E hoje não eram poucos aqueles que se queixavam do lixo deixado pelos “festeiros” da sujidade que ainda hoje pode ser vista no local.


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