Praça CR7 “Sin City”

 

Rui Marote

O Funchal Notícias descobriu que em breve irá abrir uma zona de jogo com portas para a praça CR7 e calçadão. As obras decorrem no interior de uma loja instalada ao lado do Hotel Pestana CR7.
O Grupo Pestana é o detentor da licença na região para jogos de máquinas de salão. O hotel está localizado mesmo à entrada e saída do porto e o grupo Pestana quer atrair os tripulantes asiáticos dos cruzeiros, viciados em jogos de azar, e ate os cruzeiristas.
Recordamos que quando os navios entram em águas territoriais, ou quando estão nos portos, os casinos a bordo estão encerrados é uma norma da lei.
Acontece que o actual Casino da Madeira está encerrado durante as manhãs e parte da tarde e é normal os navios zarparem às 17 e 18 h, sendo raros os que fazem overnight, excluindo os ‘Aidas’.
Isto, repare-se, não tem nada de inédito: conhecemos ilhas como Aruba, Curaçao e as Caraíbas, onde os hóteis têm máquinas de jogos na recepção e salas de jogo com tapete verde.
No aproveitar é que está o ganho. Vamos transformar a Madeira numa mini Las Vegas, conhecida pela cidade do pecado. As fotos documentam uma placa de cimento no calçadão onde irá ficar um tapete com um chamariz aos visitantes: Aqui peca-se!”

A propósito, tenho sempre uma história a contar. Em outubro de 1950, o ^Club Sport Marítimo fez uma digressão a África, nomeadamente Moçambique e Angola, um dos grandes feitos do historial maritimista depois da conquista do campeonato de Portugal.
Chefiou esta embaixada o meu saudoso chefe Adelino Rodrigues.
Nessa época o Marítimo tinha um capelão, o padre Telésforo, que acompanhou a equipa para cuidar da alma dos jogadores.
Hoje esse cargo está extinto (embora vejamos alguns jogadores, antes de iniciarem os jogos, levantar as mãos para o céu pedindo que mão divina os proteja, e quando marcam um golo agradecem a Deus Todo Poderoso).
O Marítimo regressou ao Funchal a 4 de Novembro e dirigiu-se de imediato à Igreja do Socorro para agradecer o êxito conseguido. Hoje vão à Quinta Vigia e à Camara.
Toda esta introdução para chegar ao sujeito da oração.
Nos dias de descanso em Lourenço Marques, os jogadores entretinham-se a jogar as cartas e à moedinha. O padre Telésforo, na companhia de Adelino Rodrigues, verificou que os jogadores jogavam a dinheiro e insurgiu-se. Adelino saiu em defesa e exclamou: – Sr. Padre não tem mal nenhum, estão a jogar a tostão!!!
Resposta imediata: “Jogar é roubar”…