Quem valoriza as Furnas do Cavalum em Machico?

As grutas de São Vicente são as mais visitadas da Região.

O seu património geológico é rico e o seu aproveitamento turístico está à vista de todos.

Mas há outras grutas por esta ilha fora que merecem ser intervencionadas e valorizadas.

O caso mais gritante é das Furnas do Cavalum, em Machico.

Trata-se de um conjunto de quatro grutas, resultantes de canais de lava, existentes na freguesia de Machico, Ilha da Madeira.

O acesso ao local é difícil e há zonas que podem ser visitadas por falta de segurança e onde nem se pode passar.

Aqui há uns anos um grupo de voluntários, apoiados pela Junta de freguesia de Machico, quis chamar a atenção para a valorização deste património e melhorou os acessos ao local.

Foto facebook ‘Furnas do Cavalum -Machico”.

Foi criada uma página na net (https://www.facebook.com/furnascavalum/) mas as entidades oficiais não pegaram na deixa.

Desde 2004 que um Decreto Legislativo Regional (n.º 24/2004/M, de 20/08) define os objetivos para a conservação e preservação do património geológico da Região Autónoma da Madeira.

Preconiza-se a inventariação, catalogação, divulgação e proteção do património geológico.

Diz-se que o património geológico deve ser salvaguardado, mas também estudado e valorizado. Deve promover-se a ação científica, pedagógica e cultural por todos os intervenientes, de modo a garantir o retorno em termos de benefício científico, cultural e social, bem como assegurar a sua transmissão às gerações futuras.

A mais-valia turística é óbvia. Ainda por cima tendo as grutas do Cavalum um valor mágico associada à lenda. Que lenda?

Esta: “As Furnas de Cavalum, na cidade de Machico, são umas grandes grutas escavadas na rocha de basalto que o povo diz serem a morada de um monstro. Cavalum é um diabo em forma de cavalo, com asas de morcego, que deita fogo pelas narinas. Segundo a lenda, nos tempos em que o Cavalum andava à solta, foi bater à porta da igreja para falar com Deus.

Quando Deus lhe perguntou o motivo, o Cavalum disse-lhe que queria destruir toda a povoação e desafiou-o a tentar impedi-lo. Deus mandou-o embora dizendo que não tinha paciência para tais brincadeiras. Cavalum reuniu o vento e as nuvens e provocou uma brutal tempestade sobre a povoação.

Do alto do penhasco, o Cavalum relinchava de satisfação perante a aflição dos habitantes. Deus não mexeu um único dedo, pensando que o Cavalum depressa se cansaria da sua brincadeira. A tempestade agravou-se, arrasando casas e campos. O crucifixo da igreja foi pelos ares até ao mar. Irritado com a insistência do Cavalum, Deus resolveu agir. Primeiro, fez com que um barco achasse o crucifixo. Depois, chamou o sol para afastar a tempestade.

Para não ser mais incomodado pelo monstro, Deus prendeu o Cavalum nas grutas, onde ainda hoje de vez em quando se ouvem os seus protestos.”

Veja aqui https://youtu.be/D2lys9KZ4FY o vídeo realizado em 2010 por Patrício Sousa no âmbito do curso de gestão ambiental; projecto de conservação das grutas do cavalum.