Inovador e pioneiro: novo hospital, pronto em 2024, integra robótica e unidade de produção de energia

Dírio Ramos (à direita) com o secretário da Saúde e Mário Rodrigues, no gabinete de acompanhamento à construção do novo hospital.
Dírio Ramos (à direita) com o secretário da Saúde e Mário Rodrigues, no gabinete de acompanhamento à construção do novo hospital.

O novo hospital da Madeira prevê bloco operatório, farmácia e armazéns robotizados, além de uma unidade de autoprodução de energia. Pormenores inovadores de uma obra que se prevê estar concluída em 2024. Por enquanto, ultimam-se detalhes ao nível do projeto de execução para que o concurso público seja lançado ainda este ano.

A evolução demográfica apresenta novos desafios. Somos menos, mas mais velhos e crónicos, dizem os especialistas. Daí que o plano funcional da nova unidade hospitalar a construir na Região tivesse de ser revisto, à luz da demografia e da casuística.

Dírio Ramos, especialista que integra a equipa de acompanhamento da Secretaria Regional da Saúde para a construção do hospital, explica que os planos iniciais tiveram de ser adaptados à nova realidade, tendo em conta a evolução do quadro demográfico.

“Somos menos, pelo que a pediatria e a saúde da mulher serão departamentos mais pequenos. Somos mais velhos e mais crónicos, pelo que estas áreas terão uma expressão maior no desenvolvimento do projeto”, explicou em linhas gerais o engenheiro, que encara o projeto como uma obra importante para a Região.

Estas alterações estão agora a ser dadas a conhecer às várias partes ligadas ao funcionamento hospitalar. Tal como o FN anunciou, todos os diretores de serviço, médicos e enfermeiros-chefes de cada departamento estão a ser ouvidos para em breve se encerrar esta fase em que tudo ainda está no papel, por assim dizer. Até 15 de março, decorrerá o período de auscultação, podendo as sugestões e contributos à melhoria do projeto serem apresentados até ao final deste mês.

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Dírio Ramos sensibilizou os diversos responsáveis para a necessidade de fazerem chegar as suas achegas até ao final deste mês.

Esta quarta-feira, alguns destes representantes tiveram a oportunidade de consultar as plantas no gabinete do próprio secretário Pedro Ramos, à margem de um almoço realizado nas instalações da SRS.

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A zona onde será construída a unidade hospitalar. Houve reajustamentos de maneira a poupar moradias e assim diminuir os custos com expropriações.

O gabinete de acompanhamento coordenado pelo médico Mário Rodrigues e do qual Dírio Ramos faz parte como consultor para a área da engenharia, tem estado a receber os últimos desenhos daquilo que será no futuro um hospital moderno, aliás, “o mais moderno do país”, no entender do técnico.

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Pormenor de uma das áreas que sofreram um reforço, tendo em conta a evolução demográfica.

“O que estamos agora a fazer é concluir a fase de projeto de execução. Estes desenhos representam a adaptação do programa funcional revisto à nova situação”, esclarece Dírio Ramos, adiantando que esta etapa estará concluída, no final do verão, tudo apontando para que, tal como Governo Regional anunciou, o concurso público seja lançado ainda este ano.

Ao FN, o especialista descreveu em traços gerais como será o novo hospital a construir em Santa Rita, São Martinho. Irá funcionar por departamentos: medicina, cirurgia, saúde mental, saúde da mulher e da criança e será organizado por áreas funcionais distintas.

No entanto, mantém-se no essencial a matriz de proximidade do anterior projeto, isto é, a localização dos serviços não sofreu alteração.

Detalhe da área de implantação da obra.
Detalhe da área de implantação da obra.

Em relação à primeira versão, o atual projeto sofre uma redução de 60 mil metros quadrados na área de implantação, mas os especialistas garantem que não terá impacto na capacidade de resposta ou na qualidade funcional. A ideia é otimizar, fazendo mais e melhor gastando menos.

Em matéria de avanços tecnológicos, Dírio Ramos aponta para a realidade de o futuro bloco operatório dispor de salas híbridas e de equipamento de robótica. “Haverá duas salas com dimensões fora do normal, uma de 60 e outra de 70 metros quadrados, para acolher as novas tecnologias.”

Também a farmácia e os armazéns serão robotizados.

Outra das novidades prende-se com o chamado pólo oncológico, uma estrutura que irá ter associados no interior do novo hospital serviços como a radioterapia e a medicina nuclear. “Todos os doentes, internos e externos, vão ser intervencionados dentro do perímetro hospitalar”, avança Dírio Ramos, realçando como inovador todo o circuito de receção, encaminhamento e tratamento dos doentes, de acordo com o quadro clínico. “Os canais serão distintos, desde a entrada até à saída, não havendo mistura de doentes”.

A área da saúde mental passa igualmente a estar contemplada na nova estrutura, com a existência de camas para internamento no serviço de psiquiatria, de maneira a dar resposta aos chamados casos urgentes.

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Os convidados de Pedro Ramos analisaram, esta quarta feira, alguns pormenores do projeto.

Também ao nível energético a nova unidade pretende destacar-se pela inovação. Está prevista uma unidade de autoprodução de energia, em que os geradores elétricos para além de acionarem em situação de emergência vão igualmente produzir energia para consumo interno através da biomassa. Algo de pioneiro até ao momento no país.

A construção do novo hospital será acompanhada por um perito energético, algo que trará uma mais valia à obra. Este é um processo muito mais abrangente do que a questão da iluminação. O isolamento acústico, térmico e visual será igualmente alvo de uma intervenção técnica de ponta. Dírio Ramos não hesita é declarar que “será o hospital mais moderno do país” de entre os recentemente construídos.

Dá como exemplo de comparação o Hospital de Braga, apontado como uma referência em termos de tecnologia avançada, mas que tem tido problemas ao nível da poupança energética, dada a utilização de fachadas envidraçadas. Ainda recentemente teve de se candidatar a projetos para reduzir o consumo de energia. Algo que não acontecerá com o hospital madeirense, garante.

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Mário Rodrigues é o coordenador do gabinete de apoio à construção do novo hospital.

Dírio Ramos faz parte do gabinete de apoio permanente à construção do novo hospital afeto à Secretaria Regional da Saúde. Esta estrutura é coordenada pelo médico Mário Rodrigues, anterior presidente do SESARAM, e integra ainda outros dois engenheiros do quadro hospitalar.

Engenheiro de formação, Dírio Ramos é o elemento técnico. Como consultor da SRS para a área da engenharia no âmbito da construção do hospital, faz a ponte entre o Serviço Regional de Saúde e os parceiros envolvidos. Figura ligada ao PCP-M, o especialista revela que nesta matéria o profissionalismo e o interesse público estão acima das questões partidárias. “É uma obra de superior interesse para a Madeira. Sempre soube separar as águas”.

Quando concluída, a unidade transitará para a Secretaria que tutela as obras públicas, que passará a ser a “dona” da obra. Até à inauguração, este gabinete de acompanhamento manter-se-á no ativo.

O Governo Regional anunciou que o concurso público internacional será lançado este ano. Depois, o projeto estará em análise durante cerca de 15 meses, dando cumprimento ao procedimento administrativo do código de contratos públicos, prevendo-se o início das obras em abril/maio de 2019.

O processo de construção tem um prazo estimado de cinco anos. As previsões apontam para que em 2024 o novo hospital seja uma realidade.

O custo total estimado do novo Hospital é de 340 milhões de euros (valor com IVA, equipamentos hospitalares,  expropriações e outros encargos)  dos quais, 195 milhões são para a construção.

O dossiê tem criado alguma crispação entre o Governo Regional e o Governo da República, na questão do financiamento. O executivo de Miguel Albuquerque entende que Lisboa deverá candidatar a futura unidade hospitalar a “projeto de interesse comum por razões de interesse nacional”, mas a verdade é que até agora o governo central ainda não avançou com montantes concretos. Do Orçamento de Estado para este ano apenas consta uma intenção de apoio, não havendo para já qualquer verba prevista.

Face a este vazio, o Governo Regional decidiu inscrever no Orçamento Regional para este ano 2,5 milhões de euros para avançar com as expropriações dos terrenos de Santa Rita.


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