Rui Marote
O ex -presidente da República, Aníbal Cavaco Silva,vai lançar o “resumo” dos seus dez anos de presidência no próximo dia 16 de Fevereiro. A obra, intitulada “Quinta-Feira e outros dias”, será lançada no Centro Cultural de Belém.
Segundo a apresentação em nome próprio, publicada no site da Fnac, este livro pretende “completar a prestação de contas aos portugueses e revelar factos desconhecidos dos cidadãos”, fazendo o título referência ao dia da reunião semanal entre o presidente da Republica e o primeiro-ministro.
Parabéns, professor; o sr. é livre de publicar o que entender. Mas não pode apagar a História dos seus mandatos.
O Funchal Noticias dá a conhecer o que Cavaco omitiu, uma vez que essa “bomba” rebentou na Madeira em 2008: o “Caso das Escutas”, que envolveu o meu saudosos colega Tolentino de Nóbrega, jornalista do ‘Público’ na Região Autónoma da Madeira, durante uma visita presidencial à Região.
Recordemos ligeiramente o célebre dossier das escutas, em que o assessor de Cavaco, Fernando Lima, inventou uma paranóia de que o presidente andava a ser espiado pelo gabinete do primeiro-ministro.
Durante a visita presidencial, Lima levantou suspeitas para um adjunto jurídico do PM, Rui Figueredo, que tinha tentado entrar para o SIS mas chumbou.
Este tal Rui Figueiredo acompanhou a visita, e segundo Lima, “procurou observar” o mais dentro possível os passos da visita presidencial e o modo de funcionamento interno do staff do Presidente”. O staff do PR terá percebido isto bastante cedo e redobrou os cuidados.
Lima garantiu que este tal Rui Figueiredo foi colocado na mesa dos assessores do PR no jantar oferecido pelo representante da República, na altura Monteiro Dinis, e foi também convidado para o jantar que Alberto João Jardim ofereceu no último dia, na Quinta Vigia.
Lima passou toda esta informação ao jornal ‘Público’ e que tinha interesse em que isto começasse na Madeira, para não parecer que fora Belém a passar a informação, mas sim alguém ligado a Jardim.
O ‘Público’ nunca conseguiu confirmar esta paranóia de Lima, e foi o Diário de Noticias de Lisboa que, passados alguns meses, através de Lília Bernardes, hoje já falecida, volta com esta” inventona”, optando por revelar correspondência privada. Nessa altura o primeiro-ministro Sócrates comentou o assunto, para o classificar de “disparate de Verão”. Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, terá dito na reportagem da SIC “Como nunca os viu” que a fonte das escutas é Fernando Lima.
Recordamos que Lima esteve com Cavaco quando este foi primeiro-ministro e voltou a estar ao seu lado no Palácio de Belém.
Era descrito como o seu “homem sombra”
Aníbal Cavaco Silva foi, de todos os presidentes, o que com menor percentagem de votos, 50,59%, chegou à Presidência da República.
Depois deste episódio das escutas, durante sete anos Cavaco não utilizou o Palácio de São Lourenço, talvez com o trauma, embora tenha vindo à Madeira três ou quatro vezes. Só lá voltou em 2015.
No livro não consta a grande frase dirigida a Jardim: queres dinheiro vai ao Totta…
O homem forte do presidente encomendou o “caso das escutas ” e Cavaco nunca o demitiu… Porque é que Cavaco fez ‘delete…?’
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