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O Populismo à direita e à esquerda tem vindo a ganhar o seu espaço. A sua definição e conceptualização não são simples, mas Cas Mudde, professor da Universidade da Georgia, nos EUA, formulou uma definição consensual, baseada numa cisão social e moral: “ O populismo considera que a sociedade está fundamentalmente separada em dois grupos homogéneos e antagónicos, ´a população pura´ e a ´elite corrupta´.
Muitos consideram que, a vaga de populismo que está a surgir na Europa é uma ameaça à Democracia e à EU. Há quem defenda que o projecto Europeu possa estar em causa. É uma evidência que, os partidos anti-sistema têm vindo a ganhar o seu espaço no velho continente.
Espanha é um exemplo. O “Podemos”, cujo embrião foi o movimento “Os Indignados” liderado por um jovem professor de Ciência Política, intelectual marxista, pediu ao povo que não votasse nos partidos do sistema, porque as suas promessas raramente se concretizavam. Nas últimas eleições europeias elegeram cinco eurodeputados!
No Reino Unido, Nigel Farage, líder do Partido da Independência é um verdadeiro populista. Foi quem liderou a campanha a favor do Brexit no referendo de 23 de Junho de 2016, onde o “Sim” ganhou. Nigel afirmou “Este é o dia da Independência do Reino Unido”. O Parlamento inglês com uma largíssima maioria, acaba de dar luz verde ao Brexit e o Governo terá de negociar a saída da EU antes do final de Março.
Este ano haverá eleições em França, na Áustria e na Holanda, com candidatos populistas e nacionalistas, que defendem o Povo contra as elites previligiadas. Estão muito bem posicionados e poderão vencer as eleições. Itália virá a seguir, com o Movimento 5 Estrelas de Beppe Grillo contra o poder instituído. Aguardemos os resultados. Mas, é inegável que a EU está a estremecer.
Julgo ser evidente que, a eleição de Donald Trump nos EUA pode causar, na Europa um efeito dominó. A adopção de medidas como o muro do México, a proibição da entrada de imigrantes muçulmanos e as restrições comerciais com a China, agradam à maioria dos Americanos, isto mesmo foi revelado por uma sondagem recente, já após a sua posse. Goste-se ou não, Donald Trump foi eleito através de eleições livres e democráticas.
É, inegável que, a confiança nos políticos e nos Partidos do Sistema (as muitas promessas em campanha que, sucessivamente, não se cumprem), está ferida de forma sistémica e sistemática. A crise das dívidas soberanas, os programas de ajuda financeira duríssimos aplicados a países com economias muito frágeis, tiveram repercussões e deixaram feridas profundas. Igualmente, a falta de liderança em contexto europeu e internacional, os fenómenos sociais e culturais com manifestações fundamentalistas criminosas, associadas à globalização e a movimentos migratórios, o medo da ameaça terrorista e o fluxo de imigrantes a chegar à União Europeia, foram e são os catalizadores de movimentos polpulistas, nacionalistas e extremistas com candidatos carismáticos, em quem os eleitores que se sentem ameaçados pela globalização, se revêem e votam.
Não tenho dúvidas que os Partidos políticos ditos tradicionais têm obrigatóriamente de se credibilizar e robustecer. É urgente a adopção de reformas adequadas que visem a sua credibilização. Se, conseguirem então sim, estarão preparados para combater não só os partidos e os movimentos anti-sistema, mas também, os seus potenciais insucessos.
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